“Mudaríamos muitas coisas e voltaríamos a mudar sempre porque queremos sempre mais”

Luís Vasco Cunha José Tomás da Cunha & Filhos, é como se denomina a empresa de Luís Vasco Cunha que surgiu em 1982, na ilha Terceira, com a Susiarte, uma loja de mobiliário e artigos decorativos. Ao longo dos últimos 34 anos, a empresa foi evoluindo e expandindo a sua área de negócio, sendo hoje detentora da marca Expert em Portugal. Com lojas na Terceira, São Miguel, Madeira e Portugal continental, a empresa de Luís Vasco Cunha  atingiu, em 2016, vendas superiores a 45 milhões de euros e alcançou a décima quarta posição do ranking das 1000 maiores PME’s, a nível nacional, segundo a revista Exame. Em entrevista ao Diário dos Açores, o responsável diz que vê este ranking como um estímulo e  garante que o sucesso da Susiarte e Expert é fruto de “muito trabalho” .


Diário dos Açores - Conte um pouco sobre a história da empresa José Tomás da Cunha & Filhos, comercialmente conhecida pelas marcas Susiarte e Expert. Como surgiu e como tem evoluído ao longo dos anos?
Luís Vasco Cunha - A Susiarte nasceu em Dezembro de 1982, como uma loja de mobiliário e artigos decorativos, passando em 1986 a exercer também a actividade de grossista de artigos decorativos, utilitários, electrodomésticos e brinquedos. Em 1985 inaugura a sua primeira loja construída de raiz e em 1987 o primeiro armazém. Em 1988 inicia a distribuição de produtos em S.Miguel, com abertura de armazém em 2005,e em 2002 inicia actividade na Madeira, dando origem à HN-Trónica, Lda. Em 2009 adquire a maioria das acções da Codelpor,SA, detentora da marca Expert em Portugal, e em 2010 inaugura o Fórum Terceira e inicia a actividade exportadora. Em 2014 inaugura Expert-Valados e em 2016 a Expert-Bela Vista, em Lisboa.

Qual era a sua dimensão quando inicialmente surgiu a empresa, comparativamente com actualmente?
LVC - As vendas foram crescendo gradualmente ao longo dos anos, sendo que em 2007, na comemoração das Bodas de Prata, atingiram 9.2 milhões de euros e em 2016 45.1 milhões de euros.

Alcançaram a 14ª posição do ranking das 1000 maiores PME’s, a nível nacional, segundo a revista Exame, subindo 16 posições. O que significa isto para a empresa? Sente que o trabalho desenvolvido está a ser recompensado?
LVC - Significa um reconhecimento dos resultados do nosso trabalho e uma forma de incentivar à manutenção de um processo de contínua procura de fazer mais e melhor. O trabalho desenvolvido é sempre recompensado, e todos nós sentimos o privilégio de contar com o apoio dos nossos clientes e fornecedores, sempre na procura do aperfeiçoamento.

Em termos práticos, de que forma este ranking poderá influenciar a actividade da empresa?
LVC - Os rankings são a fotografia do comparativo entre empresas, num determinado período e em certos critérios, como tal a subida é sempre um estímulo para a equipa que trabalhou para esses resultados serem atingidos.

Quais os artigos que comercializam?
LVC - Em termos de distribuição, os mais relevantes são equipamentos de telecomunicações, electrónica de consumo, electrodomésticos, ar condicionado, aquecimento de águas e espaços. Na venda a público, além das lojas Expert, temos, na Terceira, Gabinete de Arquitectura, lojas de mobiliário e artigos decorativos, pronto a vestir, moda e equipamentos desportivos e roupa de criança, para além de um Serviço de Assistência Técnica.

Quais os produtos mais procurados?
LVC - Por um lado os utilitários e por outro os equipamentos de ponta em termos tecnológicos.

Em termos de vendas, que balanço faz da quadra de Natal que agora termina?
LVC - Foi um período positivo, com crescimento face ao ano anterior, em que se notam consumidores cada vez mais informados e com compras previamente pensadas.

A crise económica que atravessou o país afectou de alguma forma a actividade da empresa? De que forma?
LVC - As crises são sempre momentos de tempestade e de oportunidade, como tal tomámos providências que nos permitiram ultrapassar as dificuldades e aproveitámos as oportunidades para fortalecer a nossa actividade e crescer.

Actualmente, quais as suas maiores preocupações e dificuldades para manter a actividade a correr bem?
LVC - As nossas maiores preocupações estão no fortalecimento das nossas equipas e na necessidade de estarmos atentos ao mercado de forma a conseguirmos antecipar necessidades e adequar a nossa oferta à procura.

O mercado é muito competitivo nas áreas do comércio a que se dedicam. A concorrência é uma preocupação tida em conta na gestão do negócio?
LVC - Os nossos concorrentes são, em simultâneo, a nossa maior preocupação e os nossos maiores amigos. Sem concorrência, inevitavelmente cairíamos numa zona de conforto que seria o prenúncio do fim da nossa actividade.

Estão presentes na Terceira, São Miguel, Madeira e Portugal continental. Pretende, no futuro, fazer crescer ainda mais a empresa?Tem novos projectos e investimentos previstos para um futuro próximo?
LVC - Mais importante do que crescermos é consolidarmos as posições obtidas ao longo dos anos e estarmos atentos às oportunidades que forem surgindo. Temos sempre inúmeros projectos pendentes de variadíssimas situações, só o tempo dirá se se concretizam ou não.

Qual diria que é o segredo ou a chave para o sucesso da empresa?
LVC - Não acreditamos em segredos, e os sucessos são sempre fruto do muito trabalho que dá para ter sorte. Gostamos de nos ver como Bambus: fortes, resistentes, florescendo à beira mar e cheios de “nós”, sem qualquer vestígio de “eus”. Em paralelo, actuamos como a trepadeira que procura crescer, de forma lenta, mas crescendo para onde há espaço e não desistindo perante as barreiras que vão surgindo.
Quantos funcionários empregam, no total?
LVC - Juntando todas as empresas do Grupo, somos 110. Nos Açores, somos 74 funcionários.

Tem boas expectativas quanto ao futuro?
LVC - Excelentes expectativas, pois temos as melhores equipas, os melhores clientes e os melhores fornecedores.

Olhando para trás, que balanço faz de todos estes anos? Mudaria alguma coisa?
LVC - O balanço que fazemos é pleno de orgulho e satisfação pelo percurso e pelas metas atingidas. Mudaríamos muitas coisas e voltaríamos a mudar sempre, porque queremos sempre mais. O caminho faz-se caminhando…