“Sinto-me como um apóstolo ligando a comunidade de Fall River ao Senhor Santo Cristo dos Milagres”

Bispo Fall river O bispo de Fall River (Estados Unidos da América) vai presidir, pela primeira vez, às festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres. D. Edgar da Cunha é brasileiro e foi nomeado bispo em Julho de 2014 nesta cidade norte americana, onde reside uma significativa comunidade açoriana oriunda da ilha de São Miguel.

Em declarações exclusivas ao Diário dos Açores, D. Edgar da Cunha revela já ter ouvido “falar muito sobre estas festas, a sua importância, o quanto envolvem as pessoas e como os açorianos estão ligados a esta festa, com a sua fé, com a igreja, e com a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres” Manifestações que o bispo diz ter “esperança” de poder “levar de volta para a comunidade de Fall River”, considerando-se mesmo como “um apóstolo ligando a comunidade de Fall River ao Senhor Santo Cristo, porque existem muitos açorianos em Fall River, adverte, acrescentando que está em Ponta Delgada “pela primeira vez como Bispo de Fall River precisamente fazendo esta ligação entre as duas comunidades num momento tão importante para todos os açorianos”.

E é precisamente uma mensagem sobre a fé que o bispo de Fall River diz trazer a todos quantos por estes dias fazem questão de marcar presença no Santuário do Senhor Santo Cristo. Conforme avança à nossa reportagem, “quero deixar como mensagem a importância da fé na nossa vida e do quanto nós devemos alimentar esta fé porque no mundo de hoje, em que vemos um mundo mais secularizado, em que vemos que a juventude está menos ligada à igreja, à fé, aos sacramentos e à religião, é importante fazermos este processo de reanimar, de voltar a ligar e de trazer a juventude e a próxima geração para a igreja”. Atitudes que D. Edgar da Cunha diz serem fundamentais e “importante para a família, para as pessoas, para a sociedade em geral e para o mundo como um todo”. O prelado diz querer voltar a Fall River e poder dizer “o quanto esta fé é importante na comunidade que cá está e que são valores culturais que também lá devemos preservar”.

Considerando que “há um pouco de perigo de perdermos esses valores, D. Edgar reforça a necessidade dos cristãos terem “que trabalhar para que estas tradições não sejam perdidas ou esquecidas”.

Olhando para a forma como todos os peregrinos expressam a sua fé ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, o bispo de Fall River recorda que a “fé está ligada à cultura, à tradição, áquilo que nós aprendemos em crianças e fomos crescendo, com a nossa família e com a nossa comunidade. Nos Açores, pagam-se promessas de joelhos, e vejo isso como sendo uma maneira de viver a fé, já em outras culturas, com outras tradições, as pessoas vivem a fé de outra maneira. O importante é que em cada cultura e em cada tradição, que a fé seja levada em frente e vivida de uma maneira que faça bem às pessoas, que as faça alimentar a sua própria fé e que as ajude a crescer na fé”, comenta, adiantando a propósito que “só temos é que respeitar e aceitar. O importante é que enriqueçamos a nossa cultura com a nossa fé para que a presença de Deus continue sendo reconhecida, respeitada e venerada no meio de todas as culturas, todas as tradições e todas as famílias”, frisa.

Num fim-de-semana em que todos os caminhos vão dar ao Campo de São Francisco, D. Edgar da Cunha revela ser para si “uma honra e uma alegria muito grande poder estar aqui e eu sabia que esse dia iria chegar, ele chegou e aqui estamos”, finaliza.

D. Edgar da Cunha nasceu no dia 21 de Agosto de 1953 em Nova Fátima, na Bahia, e completou os estudos filosóficos no Brasil antes de concluir a formação teológica nos Estados Unidos da América, onde foi ordenado padre em 1982 na congregação dos vocacionistas, onde exerceu o cargo de mestre de noviços de 1994 até 2000.

João Paulo II nomeou-o bispo auxiliar de Newark em 2003 e desde 2013 era também vigário episcopal desta arquidiocese.

Com o bispo de Fall River, marcam igualmente presença nas Festas do Senhor Santo Cristo, os bispos de Angra e Ilhas dos Açores, D. João Lavrador e D. António Sousa Braga (Emérito) que vão participar nas duas procissões que se realizam amanhã, Sábado, com a mudança da imagem, e no Domingo, a procissão solene.

Milhares de fiéis estão este fim-de-semana por Ponta Delgada, muitos deles participando na Eucaristia de Domingo que é também num dos momentos altos destas que são as maiores festividades religiosas dos Açores.

Recorde-se que a procissão da mudança da imagem começa quando o provedor da Irmandade bate à porta do carro, no Convento da Esperança e as religiosas de Maria Imaculada, zeladoras da imagem, a entregam por um período de dois dias, à guarda da Irmandade.

Além de percorrer o Campo de São Francisco, acompanhada de fiéis que cumprem as suas promessas, a imagem fica depois durante uns momentos no adro da igreja do Santuário e regressa ao coro alto de onde sai à noite, em procissão de velas, para a Igreja de São José.

No Domingo tem lugar a procissão solene pelas principais artérias de Ponta Delgada, num percurso que passa em todas as igrejas e conventos da cidade.

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