Açores com saldo migratório negativo em 2015

pessoas em Ponta delgada Índice de envelhecimento está a aumentar

O Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou o Anuário Estatístico Regional relativo a 2015, com uma série de elementos sobre a actividade nacional em várias áreas, incluindo a demografia, onde aparecem alguns dados sobre a Região Autónoma dos Açores, de que damos conta neste documento, com a transcrição das partes relacionadas com a nossa Região.
No sector da Saúde, é de salientar que os Açores vão à frente, a nível nacional, no hábito de fumar, mas apresenta bons indicadores quanto à ingestão de bebidas alcoólicas diariamente. Já quanto à demografia, tivemos um saldo migratório negativo, contribuindo para o índice de envelhecimento da população.

A população residente em Portugal, em 31 de Dezembro de 2015, foi estimada em 10 341 330 habitantes, o que significou uma diminuição de -0,32% face ao valor estimado para o ano anterior.
Esta diminuição revelou um ligeiro abrandamento da diminuição ocorrida nos três anos anteriores, mas  manteve a tendência negativa de crescimento populacional que se registou, em Portugal, desde 2010: -0,01% em 2010, -0,29% em 2011, -0,52% em 2012, -0,57% em 2013 e -0,50% em 2014.
Entre 2014 e 2015, a Área Metropolitana de Lisboa e o Algarve foram as únicas regiões NUTS II onde a população aumentou: 0,12% e 0,10%, respectivamente.
Por outro lado, o Alentejo e a Região Autónoma da Madeira foram as regiões com maior decréscimo populacional, com taxas de crescimento efectivo de -1,23% e -0,88%, respectivamente.
Em 46 dos 308 municípios do país foi estimado um crescimento populacional (apenas 21 em 2014), tratando-se, nomeadamente, de municípios localizados na região Centro (17), na Área Metropolitana de Lisboa (13) e na região Algarve (9) e, de uma forma geral, com incidência maior na faixa litoral do Continente.

Decréscimo de população no país em 2015

O decréscimo da população residente em Portugal, em 2015, decorreu de taxas de crescimento negativas quer na componente natural (que reflecte o saldo entre o número de nados-vivos e o número de óbitos), quer na componente migratória (que abrange migrações internas e internacionais), tendo o saldo natural tido um contributo maior (taxa de crescimento natural de -0,22%) do que o saldo migratório (-0,10%).
A importância do saldo natural para a variação negativa do efectivo populacional foi particularmente evidente nas regiões Alentejo (-0,68%) e Centro (-0,50%), por comparação com a região Norte e com as duas regiões autónomas, cujos saldos migratórios negativos (-0,32% no Norte, -0,62% na Madeira e -0,22% nos Açores) superaram os respectivos decréscimos naturais.
Nas duas regiões que registaram aumento populacional efectivo (Área Metropolitana de Lisboa e Algarve), os maiores ganhos resultaram da componente migratória (0,09% e 0,27%, respectivamente).

Índice de envelhecimento aumenta em todas as regiões

Em Portugal, o índice de envelhecimento da população, medido pelo rácio entre população idosa (65 ou mais anos) e população jovem (0-14 anos), registou um valor de 146,5 em 2015, maior do que no ano anterior (141,3).
A análise do índice por sub-regiões NUTS III permite constatar que o envelhecimento é mais saliente no Interior do Continente, com particular destaque para algumas NUTS III (Alto Tâmega, Terras de Trás-osMontes, Beira Baixa e Beiras e Serra da Estrela), subregiões em que o número de idosos por 100 jovens era superior a 250.
Entre 2014 e 2015, todas as NUTS III do país registaram um aumento do índice de envelhecimento.
A diferenciação do índice de envelhecimento demográfico segundo a Tipologia de áreas urbanas para fins estatísticos (TIPAU1) revela um envelhecimento da população em Portugal mais expressivo nas áreas predominantemente rurais (272,8) do que nas áreas predominantemente urbanas (128,6).
Esta maior incidência do envelhecimento nas áreas predominantemente rurais ocorre em todas as NUTS III do país e, de forma mais visível, naquelas que se mostram globalmente mais envelhecidas.
Entre 2014 e 2015 registou-se um agravamento da assimetria do envelhecimento entre áreas predominantemente urbanas e áreas predominantemente rurais nas 25 NUTS III do país.
Em 2015, a assimetria do envelhecimento entre territórios urbanos e rurais era especialmente saliente nas três sub-regiões mais envelhecidas: Alto Tâmega (165,9 vs. 426,7), Terras de Trás-os-Montes (131,4 vs. 538,0) e Beira Baixa (119,0 vs. 663,7).

Açorianos muito obesos

De acordo com os resultados do Inquérito Nacional de Saúde 2014, mais de metade da população residente com 18 ou mais anos referiu ter um Índice de Massa Corporal (IMC) correspondente a excesso de peso ou obesidade (52,8%, 4,5 milhões), ou seja, um IMC igual ou superior a 25 kg/m2.
Esta proporção superava o valor médio do país na região do Alentejo (57,0%), na Região Autónoma dos Madeira (56,7%) e dos Açores (56,5%) e no Centro (55,4%).
Em 2014, a proporção de população com 18 ou mais anos com excesso de peso ou obesidade, segundo a densidade de urbanização dos territórios, era mais elevada nas áreas predominantemente rurais, tanto no caso da população masculina (64,6%), como feminina (55,4%).
 Por outro lado, e tendo em conta a segmentação por tipo de área urbana e sexo, os valores mais baixos neste indicador registaram-se nas áreas predominantemente urbanas, em particular no caso da população feminina (47,1%).

Açores é onde mais se fuma

Em 2014, 16,8% (1,5 milhões) da população residente com 15 ou mais anos referiu fumar diariamente.
Em termos regionais, esta proporção era mais elevada na Região Autónoma dos Açores (23,3%), no Algarve (20,7%), na Área Metropolitana de Lisboa (18,7%) e no Alentejo (18,3%), regiões onde se verificaram valores acima da média nacional. A região do Centro (15,0%) e do Norte (15,3%), a par da Região Autónoma da Madeira (16,3%), registaram valores inferiores à média nacional.
A estruturação da informação segundo a TIPAU, permite observar diferenças em função da intensidade de urbanização dos territórios de residência, evidenciando-se proporções mais elevadas de população com 15 ou mais anos que fuma diariamente nas áreas predominantemente urbanas (18,3%), em particular no caso da população masculina (24,4%).
Nas áreas predominantemente rurais e nas áreas mediamente urbanas os valores registados para este indicador foram comparativamente mais baixos, 12,6% e 14,4%, respectivamente.
Considerando a estruturação da informação por TIPAU e sexo, os valores mais baixos neste indicador verificaram-se nas áreas predominantemente rurais, em especial no caso da população feminina (5,8%).

Bebe-se menos diariamente nos Açores

No que se refere ao consumo diário de bebidas alcoólicas, em 2014, 24,2% (2,1 milhões) da população residente com 15 ou mais anos referiu consumir diariamente este tipo de bebidas.
A análise por região, destaca o valor mais expressivo deste indicador para os residentes na região Norte (30,3%) e na região Centro (24,8%), únicas regiões a apresentarem valores acima da média nacional.
As regiões autónomas registaram os valores mais baixos de consumo diário de bebidas alcoólicas na população com 15 ou mais anos – 10,4% na Região Autónoma da Madeira e 13,6% na Região Autónoma dos Açores.

A dependência dos Açores na Ciência e Tecnologia

No ano lectivo 2014/2015, o número de diplomados do ensino superior em áreas científicas e tecnológicas em Portugal foi de 21,1 por mil habitantes dos 20 aos 29 anos.
A Área Metropolitana de Lisboa (28,9) e o Centro (23,6) foram as regiões que registaram valores mais elevados neste indicador.
Ao nível das regiões NUTS III, evidenciavam-se a Região de Coimbra (54,2) a Região de Aveiro (42,5) e o Cávado (41).
Em 2014, a despesa em I&D ao nível nacional foi de cerca de 2 232 milhões de euros, o que representou um decréscimo de 1,2% face ao ano anterior.
Cerca de 45% da despesa nacional registou-se na Área Metropolitana de Lisboa, seguindo-se a Área Metropolitana do Porto com cerca de 23%.
Em Portugal, a importância da despesa em I&D no PIB foi de 1,29%.
Em duas das 25 sub-regiões NUTS III portuguesas aquela proporção ultrapassava 2%: Região de Coimbra (2,82%) e Região de Aveiro (2,15%).
Na No conjunto nacional, as empresas e o ensino superior constituíam os sectores de execução de despesa em I&D mais relevante (46% em ambos os casos).
A distribuição da despesa em I&D era distinta ao nível das regiões NUTS II.
 Assim, destaca-se a importância que as empresas assumiam no Norte (52%) e no Centro (48%); sublinha-se a importância que o ensino superior assumia no Algarve (79%) e na Região Autónoma dos Açores (72%); bem como a importância que o Estado assumia nas regiões autónomas (cerca de um quarto da despesa em I&D regional).
O inquérito comunitário à inovação (CIS) revelou que, no período 2012-2014, cerca de 53,8% das empresas em Portugal desenvolveram actividades de inovação.
A proporção de empresas com actividades de inovação era mais elevada na região do Centro (60,2%) e na Área Metropolitana de Lisboa (57,8%), superando o valor médio nacional.
O Algarve era a região com menor proporção de empresas com actividades de inovação naquele período Cerca de 22% das empresas em Portugal obteve financiamento público para a inovação, no período 2012-2014.
A Região Autónoma dos Açores e o Centro eram as regiões em que esta proporção era mais relevante (31,1% e 27,2%, respectivamente).