Casados há mais de 50 anos, casal celebra todos os anos o Dia dos Namorados

Norberto e Odete Odete e Norberto Medeiros estão casados há 51 anos e ainda demonstram o amor que nutrem um pelo outro como se estivessem casados ‘de fresco’. Casaram-se muito jovens, mas o passar do tempo só serviu para consolidar a relação. Consideram-se uns eternos namorados.
“Não tenho problemas em dar-lhe um beijo onde quer que estejamos. Quem nos conhece já está habituado. Sempre fomos assim e somos felizes”, conta Odete. “Os filhos iam estranhar se não continuássemos a ser assim”, refere, por seu turno, Norberto.
A propósito do Dia de São Valentim, que hoje se assinala, o Diário dos Açores entrevistou este casal, natural da Ribeira das Tainhas, concelho de Vila Franca do Campo.
“Chegar aos 50 anos de casamento é lindo”, afirma Odete, ao que Norberto acrescenta: “é um orgulho olhar para trás e ver o que já passámos e a família que criámos”.
Norberto, de 71 anos, e Odete, de 66, emigraram jovens para os Estados Unidos da América onde residiram durante 30 anos e tiveram três filhos, quatro netos e uma bisneta. Há 15 anos, o casal, já reformado, decidiu voltar para a terra natal. Vivem em São Miguel, mas fazem questão de ir todos os anos visitar a família em Fall River.
Os anos de casamento são muitos, mas o hábito de comemorar o Dia dos Namorados não se perdeu. “Vamos dar um passeio sem destino pela ilha e almoçamos fora”, conta Norberto, salientando que todos os anos comemoram a data desta forma.
“Gosto de dar uma volta grande pela ilha, ir até à Povoação ou ao Nordeste, e é por lá que comemos neste dia”, acrescenta Odete.
Ao nosso jornal, o casal recorda como os tempos mudaram, em relação à forma como os jovens namoram. “Agora as coisas são muito diferentes. Não têm o mesmo sabor como antigamente”, considera Odete. “Naquele tempo, namorava-se às escondidas para ninguém saber”, aponta.
Já Norberto lembra que, quando era novo, era difícil para os rapazes abordar as moças. “Para falar com uma rapariga, levava tempo. Tínhamos que perceber se havia interesse dela e só depois se ia falar com ela. Primeiro que chegasse o momento de lhe pedir um beijo... passavam semanas. Levava tempo a vir aquele beijinho”, recorda.
A liberdade que havia também não era a mesma e não havia permissão para os namorados saírem sozinhos. “Para a rapariga poder sair com o namorado, tinha que levar alguém atrás, como uma irmã ou mãe. Tinha que ir um ‘polícia’ tomar conta dos namorados”, conta Norberto.
Namorava-se à janela e, mesmo assim, segundo Odete, o namoro não era facilitado.
“Quando eu era nova, lembro que havia uma senhora na Ribeira das Taínhas que, enquanto não acabasse de lavar a loiça do jantar, não deixava a filha ir para a janela, que ficava no primeiro andar da casa, ver o namorado na rua. Porquê? Porque queria ouvir o que eles conversavam. Tinha que haver o máximo respeito. Talvez fosse um exagero, mas era assim antigamente”, salienta.
Além disso, Norberto garante que “os namorados viviam um amor diferente, em comparação com o que se vê nos dias de hoje”.

51 anos de casamento sem brigas

E qual é o segredo para manter uma relação feliz durante 51 anos? Uma pergunta de difícil resposta, mas o casal refere que “é preciso haver muito amor, compreensão, paciência”.
 “Nestes cinquenta anos de casada, nunca tive uma briga com o meu marido”, revela Odete. Norberto admite haver assuntos em que o ambos não estão de acordo, “mas a discussão pára antes de chegar a haver briga”.
“Orgulho-me de, em 50 anos, nunca ter chamado o meu marido de estúpido. Ele sempre foi bom comigo e com os meus filhos. Ele foi tudo para mim: um pai, um irmão, um marido”, salienta Odete.
“Ele está sempre aqui para mim e eu também estou aqui para ele”, acrescenta, apontando, entre risos, que “até na hora de comer, eu estou aqui para tirar uma espinha do seu prato, mesmo que ele reclame”.
Para Odete, “tudo isto é fruto da amizade” que cresceu entre o casal.
Imaginar a vida sem o outro é “muito difícil”. O simples facto de pensar como seria a vida sem Odete, faz Norberto deixar escapar uma lágrima. “Eu quero ir primeiro do que ela. Não quero viver sem ela”, diz emocionado, acrescentando: “vivo para ela e a minha paciência é para ela”.
Outro aspecto que, segundo este marido, ajudou a manter os 50 anos de relação, é a confiança mútua. “Sempre confiei muito na minha mulher e nunca fui ciumento”. E Odete confirma: “Ele foi para a tropa quando eu tinha 15 anos e eu fiquei a trabalhar numa mercearia, por onde passavam muitos rapazes, mas nunca tivemos problemas por isso”.
Em meio século de casamento, o casal salienta que os momentos mais felizes da relação foram o nascimento dos três filhos. “Ainda hoje olho para os meus filhos como se fossem crianças de três anos”. Tanto Norberto como Odete consideram ser muito difícil viver longe da família, mas garantem ser felizes em São Miguel.
Apesar de os tempos terem mudado, Odete garante que hoje voltava a casar. “As coisas são diferentes actualmente, mas eu voltava a casar se voltasse a encontrar um Norberto”.
Ao dar o seu testemunho, o casal pretende dar o exemplo aos namorados e deixam uma mensagem: “Que [os jovens] namorem, mas namorem com um amor verdadeiro, eterno”, diz Norberto. “Não se deve namorar sem saber se se gosta de verdade da pessoa”, considera, por seu turno, Odete.