Viagens no Tempo: A vaidade e os seus riscos

No tempo em que os animais falavam…
Não há pior desaire do que a vaidade de querer botar a palavra, sem ter os pés bem assentes no chão.
Isso acontece a muito boa gente, presumida dos seus “doutos” saberes, quando afirma a pés juntos que foi assim que os compêndios dispunham, e pronto.
Discutiam os dois indivíduos um assunto de lana-caprina, que tal e coisa, e coisa. Sem chegarem a resultado palpável.
Todavia, o mais velho deles, por já ter passado por situação idêntica, não desviava uma vírgula das suas convicções e não arredava dali, sequer um simples ponto e vírgula da sua parte.
A discussão tornava-se já acesa com cada um a esticar a corda para seu lado.
Sem mais querer descer do seu burro, o mais novo deles disparou um tal coice, “caríssimo, eu tenho livros, que falam disso tudo e vossemecê ferraduras.
A coisa ficou por aí, porque o mais velho tinha uns livros encadernados com lombada a couro…
Eu achava prudente proceder a uma grande vassourada nisso tudo – estantes e leitores…

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Burros – veredas e coices

Os burros, pacientes e trabalhadores animais, eram merecedores de um sindicato.
Foram eles, num passado de poucos séculos, que riscaram muitas das estradas que ainda hoje utilizamos, ou servem de base a engenheiros. Se não lhes dão a razão merecida, escoucinham e zurram…
B. S.