Educação e Sociedade do Conhecimento: Os desafios da “Ciência Aberta”

Não podemos falar fora de um registo que não seja vivido, se queremos ser honestos, coerentes connosco mesmos e justos connosco mesmos. Nos dias de hoje, só nos devemos remeter ao recato - a discrição é sempre muito importante -, quando vemos que os outros agem e interagem de modo sério e honesto, não lesando nem prejudicando ninguém. Há, ainda, felizmente, muita gente séria e honesta, como Pessoas. E é só na Pessoa, ela mesma, que se edifica o bom verdadeiro cidadão e o bom profissional.
Um dia destes falarei numa notícia de que o Jornal Público fez eco, recentemente, e que tem a ver com o bullying académico. A notícia deixou-me muito preocupado e considero que dada a natureza formativa das instituições o assunto deve merecer a mais profunda atenção e acompanhamento dos mais altos responsáveis do País, do Governo e do Estado. A Constituição da República Portuguesa protege, formalmente, como Princípio Geral de Direito, fundamental, todos os cidadãos em termos de Direitos, Liberdades e Garantias. Mas, a avaliar, também pela notícia, essa segurança pode não ser uma garantia dentro de muros. Há que ter uma vigilância apertada, vigilância, desde logo, no sentido rigoroso do termo e no seu sentido etimológico. Há que saber, conhecer, denunciar, se for o caso. Há, acima de tudo, que prevenir. A Educação é sempre Prevenção. Educação e Saúde encontram-se, também, neste denominador comum: Prevenção. “O mal corta-se pela raiz”, no dizer proverbial. 
A Ciência e produção da Ciência é um bem comum que deve contribuir para várias outras formas de literacia. Não podemos ficar pela Retórica em relação à Sociedade do Conhecimento e à Sociedade Educativa. Temos de as tornar realidade e promover uma Cidadania do e pelo Conhecimento e pela Informação. Os Órgãos de Comunicação Social são fundamentais e podem dar contributos imprescindíveis para a designada “disseminação do conhecimento” e “transferência social do conhecimento”.
Não é imodéstia dizer que, desde estudante, sempre senti que o conhecimento é pão para partilhar, para alimentar e saciar a fome. Por isso, há quase três décadas que colaboro, sempre de modo desinteressado, em órgãos de comunicação social. Se quando o sol nasce é para todos, o conhecimento e a ciência quando se fazem é para todos. Mais. Todos, sem exceção, independentemente do nível de escolaridade ou escolarização, são destinatários e agentes do conhecimento e da ciência. Naturalmente que a investigação científica exige metodologias aferidas e apuradas, que se vão aperfeiçoando, também na relação com os objetos de conhecimento, mas o Pensar, o Conhecer e o Investigar exige ir em busca dos vestígios de.. É na sua raiz uma metáfora, um processo metafórico, se bem visto e bem orientado. Fazer Ciência e produzir conhecimento implica métodos, implica método. E método é caminho, na sua essência metafórica. Quantas vezes, face a um problema, ouvimos as pessoas a dizer: e agora, como vamos resolver isso? Uma questão essencial em Ciência mas que se não pode nem deve descuidar com os valores nesses processos da resolução. O como vamos fazer exige muito cuidado. Nem todos os valores se equivalem e nem todos os objetos do conhecimento têm o mesmo interesse, fundamento e relevância axiológica. Se alguém estiver preocupado em investigar - tão só - os fenómenos da indisciplina ou da violência escolares vai interessar-se pela manutenção do seu objeto de investigação. Mas se, pelo contrário, alguém estiver interessado em processos de investigação-formação vai centrar-se na essencialidade e relevância da Educação e do Conhecimento, em si, - no sentido puro - e, simultaneamente, no sentido da ação, isto é, o que importa é que desapareçam os objetos de investigação identificados e se manifeste o crescimento e desenvolvimento das pessoas. Aí não importa estudar a pobreza, importa estudar para que a pobreza desapareça, para que as desigualdades desapareçam. É a Ciência e o Conhecimento a funcionarem no seu melhor. É a Ciência em partilha, em democracia. É a Ciência em Comunicação para todos e com todos. A produção do conhecimento e da ciência não está dissociado da comunicação. A comunicação é a alegria de saber e quem sabe quer comunicar, quer construir patrimónios comuns. Em 12 de Julho de 2013, a jovem Malala Yousafzai, paquistanesa, que tinha sido baleada por talibãs, no Afeganistão, proferiu um brilhante e motivante discurso na Assembleia de Juventude na Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, nos EUA. Com serenidade, coragem e determinação fez a apologia da Educação, chamando a atenção para o facto de que “milhões de crianças não frequentam a escola”. No final do seu Discurso afirmou: “Travemos, pois, uma luta global contra a iliteracia, a pobreza e o terrorismo, e peguemos em livros e canetas. Eles são as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação em primeiro lugar”.
Ora, a Ciência que sabe ser Conhecimento vai à Raiz da Educação. 
Na Resolução do Conselho de Ministros n.º 21/2016 - Diário da República, 1.ª série — N.º 70 — 11 de abril de 2016 – podemos ler sobre a “Ciência Aberta”:
 “O conhecimento científico constitui um bem de maior grandeza, um bem público, pertença de todos, acessível a todos e que a todos deve beneficiar. Como bem comum, a sua promoção é crucial, devendo ter um papel central nas políticas públicas.
O conhecimento é de todos e para todos. As políticas públicas neste domínio devem ser consequentemente orientadas.
Este desígnio torna imperativa a partilha, em acesso aberto, de todo o conhecimento produzido, sobretudo quando este seja financiado por recursos públicos, garantindo a sua reutilização de acordo com os princípios internacionalmente reconhecidos.
Tornar a ciência mais aberta e acessível a todos representa um desafio coletivo, político, cultural, económico e social. (…)”.
Considero que são afirmações que revelam uma conceção de Ciência promissora. De um modo geral, nestes casos prefiro o substantivo e não o adjetivo. Seria Ciência em Abertura. Mas reconheço que o adjetivo tem a finalidade de fazer notar, até por contraste, que a ciência não é, não deveria ser, fechada. A Ciência deve ser aberta, o que nos levaria, ainda mais, à questão da informação, da comunicação mas também da Linguagem e das linguagens. Aspetos a desenvolver noutros contextos. 
É de reconhecer medidas de Política em Ciência, tomadas pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Professor Doutor Manuel Heitor, designadamente, também, “Mais Ciência Menos Burocracia”. Uma boa Pedagogia, no exercício do Cargo.

Referências bibliográficas:
Resolução do Conselho de Ministros n.º 21/2016 - Diário da República, 1.ª série — N.º 70 — 11 de abril de 2016 – Documento que enquadra a designada “Ciência Aberta”. 

Webgrafia:
https://gulbenkian.pt/wp - content/uploads/20016/Mala_Yousafzai_PT.pdf.

*Doutorado e Agregado em Educação e na Especialidade de Filosofia da Educação