Viagens no Tempo: Pulgas, cães e gatos

Incomodativas e atrevidas são as pulgas, que não se cansam de morder, sugando o sangue de suas vítimas.
Quando estudava no Liceu, hospedara-me num quarto, em Ponta Delgada, e tinha toda a noite a visita de uma, duas, três, eu sei lá de quantas, aborrecidas pulgas, deixando os lençóis marcados do meu precioso sangue – falta de limpeza, claro.
Atualmente, as pulgas praticamente desapareceram – quase…
E digo assim, porque os cães levam a vida a coçar-se, pois não cuidam de si, a não ser aqueles de estimação, pelos seus dedicados donos, que os têm como se fossem seus netos, chegando a dormir – pasme-se – na sua cama!
Isso, se é solteira e, na falta de companheiro, sempre dá um jeito, deixando-se que as lambem e outras carícias em lugares recônditos...
Mas cada um tem direitos, de que deles não abdica – pois alevá…
De facto, os gatos rosnam, quando tudo lhes corre bem, mas assanham-se por qualquer estranho que invade o seu território.
Certa vez, a nossa gata apareceu com uma ninhada de bichanos e vejam só quem assumiu a paternidade, nem mais nem menos, o nosso saudoso Joli, um cachorro rasteiro por nós muto querido, passando todo o dia a proteger a ninhada, sendo necessário levar-lhe comida e água, que partilhava com a sua comadre, até que eles, os bichanos, saíram do lugarejo e foram às suas vidas, na companha da mãe-gata, sempre com o olhar protetor do seu amigo Joli.     
E assim conviviam na grande quinta, escorraçando os intrusos, que se atreviam a rondar – tudo aquilo lhes pertencia.
Ah, se as saudades falassem, era só dar-lhes corda e eu entraria de férias…

 

Reflexão

Os animais, nossos companheiros, de trabalho, de vigia e diversão, são aqueles a quem devemos grande parte da nossa amizade.