Amanhã, já será tarde!

Talvez por razões de agenda político-partidária, o órgão legislativo, representativo do Povo das nove ilhas dos Açores, persiste em continuar à margem da venda do Novo Banco (NB).
Já aqui abordei o tema mas, pelos vistos, não despertou interesse dos deputados regionais e nacionais, nem do próprio governo regional.
Em política, o que parece é, pelo que se nos bastidores há interesse em reduzir a participação de 57,5% do NB no Novo Banco dos Açores (NBA), a opinião pública açoriana e os depositantes devem sabê-lo.
O capital restante do NBA está dividido: 30% pertence à Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, 10% ao Grupo Bensaúde e 2,47% a 13 outras Santas Casas da Misericórdia de diversas ilhas.
O tema retoma acuidade e importância, após ter sido noticiado esta semana que o fundo norte-americano Lone Star, interessado na compra do NB convidou alguns dos principais grupos económicos portugueses a participarem minoritariamente no capital da futura instituição.
Perante isto, que pretendem os futuros donos do NB fazer do Novo Banco dos Açores. Vender a sua parte? Adquirir o restante capital? Integrá-lo, perdendo a sua autonomia de gestão? Encerrá-lo?... Questões que convém esclarecer, quanto antes e que, certamente, fazem parte das negociações com o acionista-Estado.
Será que, por interferência do Governo dos Açores, os interesses dos acionistas açorianos e a autonomia da NBA foram acautelados, atendendo à proximidade e à necessidade de financiamento da nossa economia? Não sabemos.
Há um silêncio ensurdecedor sobre este processo e as consequências da venda daquele banco no futuro do NBA.
Aos olhos da opinião pública, após os pronunciamentos de alguns representantes do empresariado e da imprensa micaelenses, que responsavelmente tem agitado o problema, os responsáveis políticas e governamentais deveriam ter-se pronunciado sobre o assunto. Não o fizeram. Parece assim estarem mais interessados nas suas agendas particulares que nos problemas da nossa vida coletiva.     Passar ao lado deste tema revela desinteresse e incompreensão.
Por outro lado, compete às treze Santas Casas da Misericórdia participantes no capital social do NBA, manifestarem-se sobre o futuro do seu capital adquirido através da prestação de serviços à comunidade e de doações dos utentes. Será que os propósitos iniciais do primitivo banco e a promoção da economia social a que aquelas instituições religiosas de direito canónico estão vocacionadas, continuarão acautelados?
Estes não são os propósitos dos acionistas maioritários. Por isso, importa reequacionar a função do Novo Banco dos Açores compatibilizando, se possível, os interesses de todos os acionistas, e não apenas dos sócios privados. De contrário, é preferível que as Santas Casas vendam as suas participações e integrem a Caixa da Misericórdia de Angra, cuja expansão levará proximamente à abertura de uma agência na cidade da Ribeira Grande.
O Novo Banco dos Açores, tem 17 balcões em São Miguel, Terceira, Pico, Faial e Santa Maria e “afirma-se como um banco de dimensão regional, com uma profunda ligação às comunidades de emigrantes açorianos.”1 Faz, pois, todo o sentido envolver a nossa diáspora num futuro projeto, caso ele venha a concretizar-se.
Das instituições financeiras criadas nos Açores só restam estas duas. A Açoriana de Seguros, já não existe. Na prática, foi integrada na Tranquilidade. Que lhes irá, pois, acontecer?
Os açorianos e sobretudo os seus representantes institucionais têm a palavra.
A determinação e capacidade empreendedora do empresariado regional, na senda de antigos e arrojados cidadãos, condicionarão o dinamiasmo presente e futuro da nossa economia. Só que o tempo urge e amanhã, já será tarde!

1 - http://www.novobancodosacores.pt