96 anos de história e interação com o povo

Passou durante esta semana, no dia 6, o 96º aniversário da fundação do Partido Comunista Português.
Desde aquela data até hoje, nos piores e nos melhores momentos, mas sempre com intervenção influente e muitas vezes determinante nas grandes e nas pequenas etapas da história moderna portuguesa, foram e são inegáveis os persistentes laços de ação e de luta política estabelecidos entre o PCP e o povo português. Concorde-se ou não com ela, falamos de intervenção política em defesa da causa pública, isto é, no sentido mais nobre do termo, e não da política resgatada e emporcalhada por aqueles que se aproveitam das regras democráticas para aceder aos cargos públicos e institucionais colocando-os ao serviço próprio ou de interesses alheios aos da sociedade no seu conjunto.
Foi um partido que, embora ilegalizado e violentamente perseguido pelo regime fascista, não só não se dissolveu como permaneceu ativo, enfrentou o regime e, nesse combate, foi-se reforçando na clandestinidade durante mais de quatro décadas. Com a sua ação persistente, abnegada e muitas vezes heróica, em aliança com muitos outros democratas e resistentes anti-fascistas, ao lado do povo contra a opressão e a miséria, ao lado dos trabalhadores contra a exploração e pelas 8 horas de trabalho, e ao lado da juventude contra a guerra colonial, contribuiu decisivamente para o sucesso do golpe militar dos heróicos capitães que derrubou a ditadura em 1974.
Foi um partido que, ao lado do povo e das forças armadas vitoriosas, contribuiu decisivamente para transformar o golpe militar de 25 de abril numa revolução que acabou com a guerra colonial e permitiu a independência das colónias portuguesas, restaurou a liberdade e a democracia em Portugal, pôs na prática e depois em letra de lei direitos, liberdades e garantias fundamentais, como as eleições e partidos livres, bem como os sindicatos e associações, múltiplos direitos laborais desde o elementar salário mínimo ao direito à contratação coletiva, o direito à saúde à educação e à segurança social, o direito à igualdade de género, a reforma agrária e o fim do latifúndio absentista, a autonomia regional e o poder local democrático, etc.
Foi um partido que contribuiu decisivamente até hoje, para resistir à contra-ofensiva neo-liberal, direitista e anti-patriótica que entretanto se começou a desenvolver logo após o primeiro ano da revolução, se agudizou com a entrada de Portugal na União Europeia, e ganhou particular alento com a adesão à moeda única (que começou a circular a partir de 2002),com vista a fazer reverter as conquistas revolucionárias do povo português, consagradas na Constituição da República.
Através de uma sábia política de alianças, na sequência da derrota eleitoral da coligação PSD/CDS em 2015, foi um partido decisivo para que, ao fim de quase 5 anos de governo e de 10 anos de um Presidente da República, ambos ultra-liberais de direita, fosse possível romper com o desenvolvimento final e mais agudo da referida contra-ofensiva que, para além do desastre nacional que estava a provocar e do sofrimento que estava a infligir a todo um povo, estava já também a atingir a essência do próprio regime democrático.
No futuro imediato, em linha com o que impõem com crescente nitidez o progresso e o desenvolvimento nacionais, será também um partido indispensável para que venha a ser posta em prática a cada vez mais incontornável renegociação da dívida pública portuguesa, para que venha a ser possível aos poderes públicos refrear os criminosos desmandos da banca, e para que o país esteja preparado para a eventualidade da saída do euro…