“Antevemos mais um ano excelente e de recordes no Turismo”

Mario Fortuna - nova Como analisa os últimos números do primeiro trimestre relativamente ao crescimento do turismo nos Açores?

Os números do primeiro trimestre de 2017 são muito bons, fazendo antever mais um ano excelente e de recordes no Turismo. 

Para termos uma noção da evolução relativamente a 2014, o número de dormidas cresceu 222% para o todo da Região, 232% para S. Miguel e 280% para a Terceira. 

Este crescimento durante a considerada época baixa é uma notícia duplamente boa: pelo que representa em termos absolutos e porque indicia algum esbatimento da sazonalidade, muito graças ao tráfego nacional que supera o internacional nestes primeiros meses do ano.  

 

Comparando com o período homólogo e com os últimos anos, que conclusões se pode retirar destes números?

Comparando com o mesmo período do ano anterior há um crescimento de 10,5%, antes de se considerar os dados do alojamento local que já representaram 17% do total em 2016. 

Esta tipologia de alojamento cresceu 75% em 2016, evoluindo de 164.460 para 287.290 dormidas. 

É de esperar que esta senda de crescimento do alojamento local continue em 2017, melhorando o registo de dormidas conhecido até agora.

 

A que se devem estes crescimentos, maiores do que noutras regiões do país?

Estamos a beneficiar, naturalmente, do bom momento nacional no Turismo que, por sua vez depende da boa qualidade da oferta e da insegurança a que Portugal tem escapado. 

Acresce a novidade da acessibilidade facilitada com os preços baixos que passaram a ser normais nas passagens para os Açores. 

A concorrência conseguida com a liberalização dos mercados de S. Miguel e Terceira foi, sem dúvida o evento mais determinante parasse conseguir este fenómeno. 

Foi uma medida sem custo e com ganhos astronómicos para a economia dos Açores. 

Alie-se este contexto à qualidade da nossa oferta e temos este resultado. 

Conseguimos quebrar o bloqueio dos transportes.

 

A ilha Terceira tem razões para se preocupar com os números, que apontam para uma quebra homóloga?

A ilha Terceira está a ser afectada pelo crescimento anormal do ano anterior, fomentado por operações orientadas. 

Não seria de esperar taxas de crescimento muito elevadas este ano.

 Mesmo assim a Terceira, comparando com a referência de 2014 cresce 280% no trimestre, muito mais do que a Região ou S. Miguel. 

É um percurso invejável a todos os níveis. 

Note-se, ainda, que os dados agora divulgados ainda não contemplam o alojamento local que duplicou na Terceira entre 2015 e 2016. 

Não nos parece haver qualquer razão para preocupação, neste caso. 

O desfasamento entre o crescimento dos passageiros movimentados e as dormidas é normal na época de inverno e não será, neste caso, alheio ao início da operação Ryanair que leva muitos locais a viajarem mais.

 

A abertura de novas rotas pela Ryanair, nomeadamente Frankfurt, e as da SATA para Barcelona e Cabo Verde, perspectivam mais crescimento?

Sem dúvida que a abertura destas novas rotas vai ajudar a conseguir-se um crescimento ainda maior. 

Todo este fenómeno virtuoso a que estamos a assistir só foi possível com a entrada da Ryanair e da Easyjet, pelo que fizeram em termos de política comercial e pelo efeito de arrastamento que estão a ter. 

Seria importante voltar a criar condições para que num futuro próximo a Easyjet reverta a sua decisão de abandonar a rota de Ponta Delgada. 

Há contextos que valem ouro e o contexto que se criou, particularmente em Ponta Delgada, está a valer ouro não só para São Miguel como para toda a Região. 

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