Açorianos estão a recorrer cada vez mais ao crédito para comprar casa

casas ponta delgada

O Alojamento Local e turismo de habitação nos Açores a alavancar o crédito à habitação, beneficiando também dos juros dos novos empréstimos, que nunca estiveram tão baixos.

Fontes bancárias a actuar na nossa Região, contactadas pelo nosso jornal, confirmam que os pedidos cresceram nos últimos dois anos , mas sempre dentro da racionalidade a que está a sujeita a banca.

“Já não se verifica a escalada de concessões ao crédito à habitação e ao consumo como outrora, até porque o Banco de Portugal avisa constantemente para os perigos de voltarmos a facilitar”, explica ao Diário dos Açores um gestor bancário de S. Miguel, acrescentando que  “os novos pedidos também estão associados a muita pressão imobiliária por parte das empresas deste sector”.

Um agente imobiliário disse ao nosso jornal que, efectivamente, “a procura tem sido bastante nos últimos tempos, mas agora com tendência para estabilizar, sendo já complicado encontrar habitações nas zonas mais urbanas, sobretudo no centro, para arrendar”.

 

Spreads a baixar desde 2015

 

Desde 2015, ano em que os spreads aplicados pelos bancos começaram a baixar, a taxa dos novos financiamentos caiu para metade.

Em média, os bancos cobram 1,34% pelo novo crédito, segundo os dados mais recentes do Banco Central Europeu (BCE) relativos a Outubro. 

No início de 2015, altura em que os spreads aplicados no crédito à habitação começaram a baixar, o juro era de 2,78%, lembra o jornal Dinheiro Vivo.

Além da descida da margem de lucro dos bancos também a queda das taxas Euribor levou a que os juros no crédito encolhessem para mínimos. 

E como em Portugal a taxa variável continua a ser predominante, isso ajudou a que o custo do crédito à habitação seja dos mais baixos na zona euro. 

Apenas a Finlândia tem juros mais baixos, com uma taxa de 0,89%. 

A média do euro é de 1,80% e em Espanha o juro inicial do novo crédito é de quase 2%.

 

Reabilitação para fins turísticos

 

“Aproveitando este quadro favorável, muita gente recorreu ao crédito para reabilitar antigas moradias ou adquiri outras, com vista ao aluguer turístico, havendo até quem também compre viatura para incluir no pacote de aluguer”, diz-nos outro gestor bancário, adiantando não ser possível quantificar este crescimento a nível regional ou de ilha, por não haver estes dados disponíveis por parte do Banco de Portugal.

O Banco de Portugal tem vindo a mostrar preocupação pelo facto de os spreads aplicados pelos bancos serem cada vez mais baixos.

“A restritividade de outras condições, como os spreads, permaneceu inalterada ou foi sinalizada como estando em diminuição, devido às pressões concorrenciais no mercado de crédito”, observou o supervisor liderado por Carlos Costa no último Relatório de Estabilidade Financeira.

De acordo com o regulador, desde Junho de 2015 a margem dos bancos na diferença entre os juros que cobram no crédito e os que pagam pelos depósitos é mais baixa do que a média europeia, avisando que os preços dos activos imobiliários e “os spreads praticados no crédito à habitação e às empresas que continuam a diminuir” são as excepções no que diz respeito à “acumulação de risco sistémico cíclico”. 

 

Bancos com menos

margem de lucro

 

Os baixos spreads podem ser um risco para a estabilidade financeira, já que afectam a rentabilidade dos bancos numa altura em que o sector ainda está a tentar resolver problemas que foram criados durante a crise.

Para conseguirem bater a concorrência, os bancos têm esmagado as margens de lucro que cobram no crédito à habitação, recorda ainda o Dinheiro Vivo.

São, de acordo com os preçários mais recentes, de 1% a 1,5%. 

No ano passado, o spread médio era de 1,74%, segundo os dados mais recentes do BdP. 

No início de 2015 era frequente exigirem-se margens acima de 3%.

Além de concederem crédito mais barato, os bancos estão também a aumentar o volume das operações. 

Nos primeiros nove meses do ano emprestaram quase 7,3 mil milhões de euros, o valor mais alto desde 2010. 

Houve um aumento de 1,3 mil milhões em relação ao mesmo período do ano passado. E face a 2015 o crédito concedido mais do que duplicou.

Essa aceleração levou o Banco de Portugal a fazer uma recomendação aos bancos para cumprirem alguns limites antes de concederem novo crédito à habitação. 

Desde que essa medida entrou em vigor, no início do passado mês de Julho, o ritmo dos novos empréstimos registou algum abrandamento.

 

Quem tem os spreads 

mais baixos?

 

Consultando o site comparaja.pt, é possível constatar que os spreads mínimos praticados pelo mercado neste momento variam de 1,15% (oferecido pelo Bankinter) a 1,75% (este último praticado pela UCI). 

Todas as instituições em análise oferecem um spread abaixo de 2%, mas não sem produtos associados (à excepção da UCI, que não possui esta exigência). 

Ao percorrer o mercado averiguou-se que domiciliar o vencimento, deter cartão de crédito e/ou débito, subscrever os seguros de vida e multi-riscos, assim como aderir a serviços de débito directo, homebanking e constituir PPRs ou outras soluções de poupança são alguns dos produtos que, quando subscritos, podem fazer toda a diferença na mensalidade a pagar no final do mês. 

Quantos mais são os produtoss ubscritos, mais reduzido será o spread – esta é quase uma fórmula essencial para se tornar o custo do crédito à habitação mais acessível nos dias de hoje. 

Regra geral, isto permite uma diminuição desta taxa entre 1% a 2%, o que torna quase obrigatória a contratualização de alguns produtos que, por vezes, podem não ser do seu total interesse. 

Ainda assim, existem dois bancos que não fazem vendas associadas facultativas (cross-selling de produtos para bonificação nesta taxa): é o caso do ActivoBank (com um spread de 1,25%) e da União de Créditos Imobiliários (1,75%). 

 

À excepção destas duas entidades, todas as outras exigem a domiciliação do ordenado e a contratação dos seguros multi-riscos e de vida. 

Foi possível ainda verificar que a idade pode pesar na hora de obter um spread mais favorável. 

Algumas instituições atribuem um spread mais baixo aos clientes mais jovens, mas nem todas dão essa informação – somente o Crédito Agrícola e o Millennium bcp.