Açores à frente na aposta em actividades culturais, mas gerem menos empregos

património culturalEm 2017, as despesas das Câmaras Municipais em actividades culturais e criativas ascenderam a 450,1 milhões de euros, mais 16,7% (64,4 milhões de euros) do que no ano anterior, segundo dados do INE divulgados ontem num estudo sobre “Estatísticas da Cultura”.

Aquele aumento deveu-se ao acréscimo de 36,9% nas despesas de capital (mais 15,8 milhões de euros) e de 14,5% nas despesas correntes (mais 48,6 milhões de euros), destacando-se nestas as despesas com aquisição de bens e serviços (mais 36,0%).

Do total das despesas em actividades culturais e criativas realizadas em 2017, 86,9% foram despesas correntes e 13,1% despesas de capital. 

No ano anterior, essa repartição tinha sido 88,9% e 11,1%, respectivamente.

 

Algarve e Açores à frente

 

As regiões com maiores acréscimos nas despesas em actividades culturais e criativas em relação a 2016 foram: Algarve (31,5%), Região Autónoma dos Açores (21,1%), seguidas das autarquias do Centro (19,9%), Norte (16.6%), Região Autónoma da Madeira (13,5%), Área Metropolitana de Lisboa (12,2%) e Alentejo (11,7%).

Considerando as despesas realizadas em 2017 por domínios e subdomínios evidenciaram-se as afectas às Actividades interdisciplinares, com 125,0 milhões de euros, das quais mais de metade (53,2%) foram destinadas ao Apoio a entidades culturais e criativas e 20,6% à Administração geral.

As Artes do espectáculo absorveram 114,9 milhões de euros (mais 27 milhões de euros relativamente ao ano correntes e 13,1% despesas de capital. No ano anterior, essa repartição tinha sido 88,9% e 11,1%, respectivamente.

As regiões com maiores acréscimos nas despesas em actividades culturais e criativas em relação a 2016 anterior), destacando-se os espectáculos de Música (33,5%), o Teatro e as Multidisciplinares (cada uma delas representando 14,6%). 

Para a construção e manutenção de recintos de espectáculos foram afectados 19,4% das despesas desse domínio.

Da verba atribuída ao Património cultural (94,2 milhões de euros), 55,4% financiaram as despesas dos Museus e 16,3% destinaram-se aos Monumentos, centros históricos e sítios protegidos.

Às Bibliotecas e arquivos foram atribuídos 70,6 milhões de euros: 77,7% às Bibliotecas e 20,8% aos Arquivos.

 

Municípios dos Açores à frente nas despesas em actividades culturais

 

No total das Câmaras Municipais, as despesas em actividades culturais e criativas representaram 5,6% no orçamento de 2017, mas foram os municípios das regiões do Região Autónoma dos Açores, Alentejo e Centro que destinaram maior proporção da despesa municipal às actividades culturais e criativas: 8,8%, 6,9% e 6,1% respectivamente.

Já no emprego nas actividades culturais e criativas, os Açores situam-se em último lugar.

 

Visitantes de museus nos Açores abaixo da média nacional

 

Em 2017, os 17,2 milhões de visitantes dos museus representaram um aumento de 10,6% (+1,6 milhões de visitantes) face a 2016. 

Para este aumento contribuíram de forma significativa o número de visitantes estrangeiros que, em 2017, atingiram o valor de 7,7 milhões correspondendo a 45,0% do total de visitantes e a um aumento de 15,5% face a 2016. 

Os visitantes inseridos em grupos escolares totalizaram 1,8 milhões (10,2% do total de visitantes) e registaram um decréscimo de 9,2% face ao ano anterior. 

Por regiões, os museus situados na A.M. de Lisboa registaram quase metade do total de visitantes (46,6%), seguindo-se a região Norte (30,2%) Centro (11,6%), Alentejo (5,4%), Algarve (3,2%), R.A. da Madeira e R.A. dos Açores com 1,5% cada uma delas.

As regiões de A.M. Lisboa e Norte foram as que registaram o número médio de visitantes por museu bastante superior à média nacional, com 94.207 e 42.162, respectivamente.

As regiões abaixo da média nacional foram a R.A. Açores (16.311), Alentejo e Madeira. 

 

6,6% dos bens imóveis estão nos Açores

 

De acordo com a informação administrativa, em 2017 estavam classificados em Portugal 4 521 Bens imóveis, dos quais 3 436 eram Monumentos; 562 Conjuntos e 523 Sítios.

Os Bens imóveis estavam localizados na região Norte onde se concentravam 30,3% do total, Centro (24,9%), Alentejo (16,1%), A. M. de Lisboa (14,5%) e na R.A. dos Açores (6,6%). 

Na região do Algarve e R.A. da Madeira localizavam-se em cada uma delas, 3,8% do total dos Bens imóveis. 

Mais de três quartos dos Bens imóveis pertenciam à categoria de Monumentos sendo a proporção mais elevada nas R.A. dos Açores e na Madeira, nas quais 96,0% do total dos Bens imóveis respectivos eram Monumentos. 

A proporção mais baixa, verificou-se no Alentejo em que 66,0% do total de Bens imóveis da região estavam classificados como Monumentos.