Operadores e políticos dos EUA unem-se em protesto contra a SATA

aeroporto de providence

A incerteza, até ao momento, sobre a continuação da operação da Azores Airlines entre a cidade norte-americana de Providence e Ponta Delgada está a gerar um amplo movimento de protesto junto de operadores, empresários e  políticos da comunidade luso-americana, temendo que a transportadora retire esta rota do seu calendário este ano.

O influente jornal luso-americano,  Portuguese Times, de New Bedford, escreve, através da pena do seu Director, Francisco Resendes, que “nos últimos tempos temos sido abordados por várias pessoas e particularmente leitores deste semanário sobre a atual situação da ligação aérea entre Providence e Ponta Delgada, que é assegurada pela SATA. Vamos ou não ter voos a partir de Providence para os Açores e vice-versa? Ora bem, sabemos que há neste momento um movimento que integra enti­dades dos vários ramos de atividade de MA e RI para tentar sensibilizar os actuais responsáveis da SATA a manter esta operação sazonal (Junho a Setembro) e com frequência semanal entre PVD e PDL”.

 

Sem resposta da SATA

 

De acordo com o jornal luso-americano, não tem havido resposta por parte dos responsáveis da SATA acerca desta operação, “uma vez que nem os representantes da companhia aérea açoriana aqui nos EUA — e que com pouca ferramenta muito têm feito em prol do bom nome da companhia e obviamente que nesta questão nada poderão fazer — saberão responder, pois que de Ponta Delgada não há sinais de retoma para essa rota. Mas já deveria ter sido tomada uma decisão e alguns agentes de viagens da região, sobretudo do Sudeste de Massachusetts e Rhode Island, começam a dar sinais, no mínimo, de alguma apreensão, não apenas pela falta de comunicação existente entre os Açores e a representação nos três escritórios nos EUA (Fall River, New Bedford e San José, Califórnia) como também pela notória falta de apoio, havendo até quem diga que esta representação da Azores Airlines tem poucas ou nenhumas capa­cidades de resolução de problemas precisamente pela perda de alguma “autonomia” que lhe vai sendo retirada. É um disparate e uma falta de senso comum. Afinal quem melhor do que esta delegação nos EUA melhor conhece a comunidade portuguesa e a sua clientela aqui residente?”.

Francisco Resendes reconhece que “poderão alguns alegar falta de aparelhos e tripula­ção. É verdade que neste momento a SATA dispõe de dois Airbus A-321 para os voos tran­satlânticos e o terceiro deverá chegar em abril deste ano. Mas para outras rotas, designadamente Montreal (Canadá) e Oakland (Califórnia), são fretados aviões para satis­fazer as necessidades da clientela e, caso o problema seja a falta de aviões, a solução para Providence poderia passar pelo fretamento de um avião”.

 

Vozes discordantes

 

O jornal da comunidade luso-americana apresenta algumas vozes conhecidas da comunidade, que criticam a possibilidade da SATA abandonar o aeroporto de Providence.

“É muito mais vantajoso para mim, para a família e para muitos amigos aqui nesta região de New Bedford/Fall River viajar através de Providence”, diz-nos o bem sucedido empresário de imóveis José S. Castelo, que viaja com frequência à terra natal e preferindo os serviços da SATA.

“Viajei com a família o ano passado pela SATA através do TF Green e foi muito mais conveniente e no futuro, caso esta operação continue vou viajar sempre por Providence”, diz por sua vez Martinho Correia, de Dartmouth e que viaja com frequência para os Açores.

Por sua vez, João Silveira, de Wareham, assegura: “Não há dúvida de que Providence é muito mais acessível, com apenas um reparo: seria melhor sair à noite para chegar a Ponta Delgada de manhã e conseguir ligação para a minha ilha (São Jorge) no mesmo dia, em vez de sair daqui à tarde e chegar pelas 10H00 da noite, quando já não há ligações para outras ilhas àquela hora”.

 

Deputado estadual diz que será erro estratégico da SATA

 

Para José M. Serôdio, actual deputado estadual de Rhode Island pelo Distrito 64 East Providence e cujo nome está ligado ao início destas operações entre o TF Green Airport e Portugal, ele que foi um dos fundadores da extinta America Travel, Festive Tours e da Azores Express e ainda uma das vozes mais activas na defesa da continuidade desta operação PVD-PDL, “a SATA tem de ter em atenção que a maioria do mercado açoriano está aqui no Sudeste da Nova Inglaterra e o aeroporto de Providence (Warwick) está muito bem localizado para servir melhor a clientela, por razões sobejamente conhecidas: não apenas a proximidade com a comunidade açoriana mas também as facilidades e conveniências que o TF Green Airport oferece. Será um erro estratégico a SATA abandonar Providence”, refere Serôdio, que tem encetado contactos a vários níveis no sentido de sensibilizar os atuais responsáveis pela companhia aérea açoriana a não deixar cair esta ligação entre a capital do estado de RI e Ponta Delgada. “Podem ter a certeza que no futuro haverá ligações entre Providence, o arquipélago dos Açores e Portugal Continental”, confidenciou Serôdio, adiantando existirem indicativos de que a TAP Portugal poderá reforçar as suas operações entre os EUA e Portugal, utilizando o aeroporto de Providence com escala em Ponta Delgada.

 

TAP entra na corrida?

 

David Neeleman, principal acionista da TAP Portugal e fundador da jetBlue (deverá lançar no mercado uma nova companhia chamada Moxy constituída por novos aviões Airbus A220 e destinada a servir mercados mais pequenos) confidenciou ao Portuguese Times, por ocasião da reabertura da rota entre Boston e Lisboa, em Junho de 2016 pela TAP, que “uma vez que seja reforçada a frota de aviões do tipo Airbus A321LR (“Long Range”), vamos pensar seriamente ligar Providence aos Açores”.

 

Exposição ao Presidente do governo

 

João Pacheco, conselheiro das Comunidades, residente em Rhode Island, está activamente envolvido nesta campanha de sensibilizar os actuais responsáveis pela transportadora aérea açoriana para manter a operação PVD-PDL.

“Neste momento estou a preparar uma carta-exposição para enviar ao presidente do Governo Regional dos Açores, juntamente com o apelo de várias pessoas e entidades aqui do estado de Rhode Island para que impeça o cancelamento deste voo semanal entre Providence e Ponta Delgada interferindo assim a nosso favor. Este voo é muito importante para a comunidade portuguesa e lusodescendente e até para o turismo dos Açores e não compreendemos porque razão os actuais responsáveis da SATA não apostam na sua continuidade, até porque esta operação tem sido bem sucedida, com ocupação quase total dos lugares disponíveis”, disse o conselheiro das Comunidades, que espera uma decisão favorável, ou seja a ma­nutenção desta operação sazonal. 

“Apela-se assim ao bom senso dos actuais res­ponsáveis da nossa SATA para continuarem com esta operação e, se possível, reforçá-la, porque há obvia­mente mercado para isso. E vamos mais longe: não pretendendo de forma alguma prejudicar a comu­nidade portuguesa em geral e açoriana em particular residente no norte de Massachusetts e geografica­mente mais próxima do aeroporto Logan em Boston, uma coisa é certa: Providence é uma alternativa mais credível, mais sustentável e mais conveniente para a maioria da comunidade residente na Nova Inglaterra. E mais: mesmo a nível de voos domésticos, PVD, embora não seja considerado centro (“hub”) de qualquer companhia aérea norte-americana, tem vindo a reforçar cada vez mais as suas operações com diversos pontos dos EUA, através das três principais companhias: American, Delta e United, e de outras lowcost: Southwest, Frontier, jetBlue, Spirit, Allegiant e mais recentemente a Air Canada, mantendo ainda voos sazonais com a Europa, nomeadamente através da Norwegian Airlines”, escreve o Director do jornal Portuguese Times.

“Acrescente-se ainda que contactámos os escritórios da SATA em Ponta Delgada e a promessa de que uma resposta seria dada em breve. A ver vamos...”, conclui o jornal.

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