PCTP/MRPP dos Açores contra alienação da conserveira Santa Catarina

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O PCTP/MRPP dos Açores veio ontem a público, através de comunicado, deixar claro que está contra a anunciada privatização da conserveira Santa Catarina, na ilha de São Jorge, defendendo que há “legítimas preocupações” com as “consequências económicas e sociais” do negócio para a ilha.

Entende o PCTP/MRPP que “os milhares de milhões de euros das dívidas da banca aos trabalhadores portugueses mais que anulam os ridículos oito milhões que Gui Menezes afirma ter a fábrica de Santa Catarina de pagar aos bancos”.

O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses considera que “é legítima a preocupação do Conselho da Ilha de São Jorge ao temer que o processo de privatização tenha consequências económicas e sociais graves para a economia da ilha”, adiantando que “é precavida a atitude do presidente da Associação de Pescadores da Ilha de São Jorge ao considerar péssima a privatização da fábrica e, temendo que se passe com esta indústria o que se passou com a conserveira Cofaco na ilha do Pico”, antevendo “um descalabro para o sector das pescas - além do que representa o encerramento do maior empregador em São Jorge”.

Prossegue o PCTP/MRPP que “os trabalhadores, maioritariamente operárias, nas suas mais diversas qualificações, é que laboram e fazem funcionar a unidade industrial. Ao capital cabe promover a ilusão da sua indispensabilidade em troca da humilhação e exploração assalariadas usando, para o efeito, o argumento da violência institucional e da sua plena paridade com o dinheiro a que tudo indexa”.

O Comité Regional dos Açores defende, por outro lado, que “as operárias conserveiras devem organizar-se numa comum Associação Açoriana para impedir a privatização de Santa Catarina em São Jorge, reactivar a Cofaco no Pico e impor o reclamado horário das 35 horas de Trabalho Semanal, 7 horas por Dia, 5 dias por Semana, 2 dias de Descanso Semanal e 25 dias úteis de férias por ano”. 

Recorde-se que na mais recente visita estatutária a São Jorge, o Governo dos Açores declarou estar a preparar o caderno de encargos de privatização da fábrica de Santa Catarina, assegurando o executivo que os postos de trabalho serão salvaguardados e que já existem interessados.

Gui Meneses explicou na altura, que “neste momento está a ser pensado o caderno de encargos” e “já existiu um ou outro interessado na unidade fabril”, disse na semana passada o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, adiantando que só com a privatização daquela indústria transformadora de atum será possível recorrer a fundos comunitários que possam ser utilizados na sua modernização.