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Saída de Emanuel de Sousa representa poupança de 62 mil euros por mês... |
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Economia -
Geral
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Escrito por Manuel Moniz
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Segunda, 08 Fevereiro 2010 13:05 |
A justificação para a decisão de adquirir a SINAGA por parte do Governo Regional refere que o plano de recuperação passa pela “redução em 750.000 euros por ano dos custos administrativos e de funcionamento da empresa”, ao mesmo tempo que “assegura a manutenção dos postos de trabalho existentes”. E se bem que todos os contornos das contas da empresa estejam mantidos em segredo, nomeadamente no que toca ao passivo da empresa, esta frase deixa uma pista sobre a forma como a Sinaga chegou à actual situação de pré-falência. Se o governo pretende manter todos os postos de trabalho e o funcionamento normal da empresa, como consegue uma redução tão drástica de 750 mil euros em “custos administrativos”? Só há uma resposta: com a saída de Emanuel de Sousa – que na prática é o único elemento que sairá da Sinaga. E se a sua saída representa uma poupança de 750 mil euros por ano, então não é difícil perceber que o administrador deveria auferir um ordenado verdadeiramente luxuoso. Se se tiver em conta que o governo deverá nomear um administrador – que ainda não é conhecido –, que de acordo com a média de ordenados de outras empresas públicas deverá auferir à volta de 4 mil euros mensais, isso significa que Emanuel de Sousa deveria representar uma despesa para a Sinaga de muitos milhares de euros por mês – e provavelmente muito acima daquilo que a Sinaga poderia realmente pagar. Na prática, ao aceitar pagar 800 mil euros em dinheiro a Emanuel de Sousa, o Governo parece ter aceite dar-lhe um ano destes custos administrativos – mais a assumpção da totalidade da dívida da empresa, que também foi mantida em segredo.
Qual é o valor da dívida?
O total da dívida também é importante para se compreender até que ponto a empresa foi delapidada. Os 4,5 milhões de “imobilizado líquido após dedução do seu endividamento e responsabilidades assumidas” que o Governo refere é também uma boa pista. Na realidade, o que parece demonstrar é que o passivo é claramente superior ao valor patrimonial. Tudo depende também das avaliações feitas. O terreno onde a Sinaga se encontra na Rua de Lisboa poderá valer à volta de 6 milhões de euros – segundo estimativas de profissionais da mediação imobiliária locais. Mas também pode ser apenas metade desse valor, dependendo do potencial de construção, que naquele local é claramente limitado em altura. Como medida de comparação, o edifício ao lado do Teatro Micaelense, onde o Grupo Sousa Lima tinha a funcionar uma oficina automóvel, está à venda por 4 milhões de euros. A fábrica está instalada numa área de 60 mil m2 e tem ainda toda a maquinaria industrial para a produção de açúcar. Para além disso, tem ainda a Fábrica do Álcool na Lagoa. Não é conhecido o valor por que foi avaliado todo este património, mas se foi “por cima”, é provável que tenha atingido os 8 ou 9 milhões de euros. A fábrica está apetrechada com um forno de cal, um laboratório de análises de beterraba, um armazém preparado para receber 4 mil toneladas de açúcar e um posto de transformação de energia eléctrica, que é o maior posto privado da Região.
Os valores do negócio
Segundo um documento oficial da empresa, a SINAGA possui uma quota de produção de açúcar de beterraba de 10.000 toneladas, para o que necessitaria de 100.000 toneladas de matéria-prima. No entanto, em 2009 apenas foram trabalhadas 6.600 toneladas de beterraba, o que representa uma produção de pouco mais de 600 toneladas de açúcar (apenas 6% da quota e 15% da capacidade de armazenamento). O propósito do Governo de triplicar a produção para perto das 23 mil toneladas de beterraba em 2013, resultaria na produção de cerca de 2.300 toneladas de açúcar e ficar-se-ia a pouco mais de 50% da capacidade de armazenamento (e 23% da sua quota). A Sinaga recebe cerca de 270 euros de apoio por cada tonelada de beterraba transformada em açúcar – ou seja, um montante de cerca de 1,7 milhões de euros em 2009. O que, curiosamente, dá a medida da dependência deste negócio de fundos públicos: cada quilo de açúcar produzido recebeu um apoio de 2,7 euros – um montante muito superior ao do seu preço de venda ao público. Isso a juntar aos 1300 euros por hectare de superfície cultivada com beterraba, que em 2009 foi de 160 hectares – o que representou um apoio de cerca de mais 200 mil euros. Os 120 funcionários da Sinaga (sem Emanuel de Sousa) deverão representar um custo de cerca de 1,8 milhões de euros por ano. Em teoria, é um valor que poderia ser praticamente coberto com o subsídio à produção. O que deixaria a empresa com o valor das vendas do açúcar e do álcool que produz. Em 2009, as 600 toneladas de açúcar poderiam representar um valor aproximado entre 300 e 400 mil euros. Em teoria, com as contas bastante apertadas e ainda os resultados da produção do álcool, seria suficiente para dar um pequeno lucro, ou pelo menos não dar prejuízo. Mas isso sem custos administrativos de 750 mil euros por ano… As perspectivas de crescimento
Quando o Governo estima que se atingir até 2013 uma produção de 2.200 toneladas de açúcar por ano, com crescimentos graduais anuais, conseguirá ter a empresa em condições de ser atractiva para a voltar a vender – o que, pressupõe-se, passa pela eliminação do passivo, ou de grande parte –, o que é que isso significa? Mantendo a mesma quantidade de mão de obra e aumentando a produção como é preconizado, isso significa que em 2011 haveria um lucro de 2 milhões de euros, outro semelhante em 2012, e cerca de 4 milhões em 2013. Ou seja, nesses 3 anos, um total de lucros acumulados de cerca de 8 milhões de euros. Será esse o valor da dívida? É provável...
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