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Lei de Finanças: o Final... e as ilações! |
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Opinião -
Opinião1
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Escrito por Manuel Moniz
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Terça, 09 Fevereiro 2010 12:44 |
A declaração final do Presidente do Governo Regional sobre a sua derrota no caso da Lei das Finanças Regionais deixa perceber o muito que está mal na governação açoriana – e eventualmente o porquê de ser avisado o modelo das limitações de mandatos. Porque realmente, não há milagres. Espera-se da classe dirigente uma capacidade de visão e reacção que está relacionada directamente com o envolvimento que é colocado na governação. Por outras palavras, é mais eficaz ter governantes de ciclo curto mas com elevadíssima intensidade (a trabalhar 24 horas por dia) do que o que temos hoje em dia! É que este arrastar de pés deixa-nos a todos cansados e é um mau sinal para o resto da sociedade. A declaração diz tudo: que “foi uma revisão desvantajosa para a imagem nacional das autonomias, sem vantagens financeiras para os Açores e destruidora da discriminação positiva que nós merecíamos no âmbito da solidariedade do Estado”. Mas o que raio é que esperavam que Alberto João Jardim fizesse? Que ficasse quieto, sentadinho, quando até provocou eleições antecipadas? Imaginar que a Madeira não agiria mal o país tivesse uma minoria governamental, é estar, no mínimo, muito distraído. E não perceber que este seria o desfecho final, aprofunda essa ideia. Na verdade, a origem do problema não está na Madeira, mas sim nos próprios Açores, que em vez de honrarem os princípios autonómicos, optaram por entrar em jogadas partidárias. São muitos erros juntos – ou pelo menos muita falta de pragmatismo! Então a frase que “é uma revisão negativa porque esta não era a altura, no país, para aventuras desta natureza. O Governo da Madeira pode ter conseguido milhões de euros, mas perdeu, certamente, a simpatia de centenas de milhares de portugueses”, é quase translúcida. Primeiro, porque fortalece a tese centralista de que dar dinheiro às regiões autónomas é uma benesse aventureirista – e não uma necessidade vital. Depois, o que raio é que o Presidente quer dizer com a segunda metade da frase? Faz lembrar o menino ofendido que, tendo mostrado ser mais fraco, ameaça que vai fazer queixa ao tio… Centenas de milhar de portugueses vão deixar de gostar da Madeira! Homessa! Para os interesses açorianos, que passam – se bem me lembro – por aumentar as trocas comerciais com a Madeira, o que é preocupante é que algumas centenas de madeirenses deixem de ter simpatia pelos Açores. Especialmente se essas centenas de madeirenses fizerem parte do Governo Regional local… O Presidente também parece não ter percebido que a sua argumentação de que o país não suporta mais apoios às regiões, vai fazer com que nós não possamos aproveitar o que quer que seja que esta revisão aparentemente também nos dá – e por amor de Deus, pare de olhar para a casa do vizinho. Porque isto não é só falar. Se os Açores são tão conscientes como foi vendido nos últimos tempos, certamente não vai aproveitar o endividamento que aparentemente foi permitido. É que mesmo sendo ridículo – e é esta a equação que temos pela frente – não seria… moral! Um inimigo dos interesses estratégicos açorianos não poderia fazer pior! Ora, como César realmente não é inimigo, toda esta baixa perfomance só se pode dever a outra coisa! Porque, simplesmente, não há milagres!
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