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Água e churrascos

A água antigamente,
ela corria pra a ribeira.
Se hoje corre à mesma,
aonde se lava a lesma.
E então porque razão,
paga o povo da região
o líquido pela torneira?

As culpadas se calhar,
para os euros arrecadar,
as Câmaras Municipais
Selaram as ricas fontes,
que enchiam bebedouros
com água pra os animais.

Na época, um fontanário
dava água às freguesias.
Hoje, além deste selado,
diz-me o águeiro o Eliseu,
está a servir de Museu,
e graças às Autarquias.

Quando liderava Salazar.
não faltavam fontanários.
Aonde se viam mergulhar,
pintassilgos e os canários.

Lembro me hoje em dia,
em frente ao Bom Pastor,
Do fontanário que corria,
hoje relíquia da freguesia,
que a preserva com amor.

Nos tanques de cada lado,
de águas sem salmonelas,
Meu vizinho embebedado,
este ia morrendo afogado,
com a água pelas canelas.

O contribuinte pra beber,
o que me levou a pensar,
se este não pagar o lixo,
Além de não ter pra comer,
senão tiver pra se banhar.
este acaba por criar bicho.

Já dizia um meu ex-sócio
de tudo já fazem negócio,
de uma forma disparatada.
Até a Câmara, a de Lagoa,
já quer cobrar por pessoa,
Cerca de uns cinco euros,
por uma só churrascada.

Todo aquele que engendar,
mais do que um churrasco,
Além da multa para pagar,
arrisca-se a levar no casco.

Refiro-me a churrasqueiras,
na Caloura em Água de Pau,
que funcionam aos feriados.
Onde se assam as faceiras,
de rijos cachaços já usados,
plas ricas porcas parideiras.

São cachaços de pé ligeiro,
não largam qualquer asco
Só que se perdem o cheiro,
das gordas porcas parideiras,
eles acabam em churrasco.