Consórcio que opera com avião cargueiro na Madeira quer voar para as ilhas dos Açores

cargueiro madeiraO consórcio MAIS, que opera na Madeira com um avião cargueiro a ligar a Lisboa, pretende também operar nos Açores.

António Beirão, responsável daquela empresa, revelou à Revista Cargo que é intenção da operadora efectuar uma ligação triangular Lisboa-Funchal-Ponta Delgada e regresso a Lisboa. “Os Açores já foram uma possibilidade em cima da mesa e queremos mesmo chegar lá. Acreditamos que será a forma ideal de trazer mais carga para Lisboa, equi­librando a ida com a volta. Porque há muita mais procura de carga de Ponta Delgada para Lisboa do que do Funchal, desde pescado a carne. Mas vamos pri­meiro consolidar este projecto, teremos tempo para chegar a Ponta Delgada”, afirma António Beirão.

Acrescenta o operador que “nos Açores as coisas funcionam de maneira diferente. Existiram dois con­cursos públicos de concessão lança­dos pelo Governo, com um conjunto de normas que para nós seriam pouco comerciais. O Governo preparava-se para compensar a empresa que explorasse a linha em regime de concessão, com um determinado montante, e a em­presa obrigava-se a explorar a linha a um custo que estava no caderno de encargos. Mas, por mais que fizéssemos as contas, não seria viável. Perde-se tempo com concursos que fogem muito da realidade, concursos para cumprir determinados calendários. Mas alguma coisa tem de ser feita e é um mercado de que não desistimos. Mas, com a consolidação do projecto na Madeira e com a possível introdução de um avião com outra capacidade, pa­rece-nos possível começar a voar para os Açores sem contrato de concessão”.

Interrogado sobre se a entrada nos Açores também pode ganhar força pelo facto de já existir a ligação à Madeira, António Beirão responde: “Sem dúvida! Muitos dos clientes serão os mesmos e podemos ir à boleia do sucesso que esperamos ter na Madeira. Os Açores podem ser o mercado que precisamos para equilibrar a ida e o regresso. E percebemos o potencial que existe no actual contexto turístico do arquipélago. Haverá potencial para fazer cada vez mais carga também para alimentar toda uma economia ligada ao turismo. É que temos muitos voos para os Açores mas são sobretudo de com­panhias low Cost que não transportam carga”.

Para a Madeira o consórcio MAIS está a operar com um ATR-72 avião que, segundo a empresa, “tem uma grande vantagem que é a relação qualidade-preço. É um avião com consumos baixos, bastante fiável e sólido. Se quisermos passar para um outro avião com maior capacidade, seria já um avião a jacto. Acreditamos que teremos procura para avançar para um Boeing 737-F. Mas, neste momento, essa aeronave faria com que tivéssemos de praticar preços proibitivos. O avião ideal para os primeiros seis meses ou para o primeiro ano é o ATR-72. Mas se a procura crescer, como esperamos, avançaremos para um avião com maior capacidade”.