Empresários reiteram necessidade de investir em infraestruturas nas zonas de maior fluxo turístico

lagoa sete cidadesA Comissão Especializada do Turismo (CET) da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu no passado dia 4 de Janeiro para fazer um balanço do sector em 2017 e perspectivar a sua evolução em 2018. 

Os empresários ligados ao sector do turismo apontaram ainda aspectos “prioritários e estruturantes” a corrigir.

“A Comissão entende que é indispensável corrigir um conjunto de aspectos, com relevância para a melhoria da qualidade do destino e para a sua competitividade. Muitos dos referidos aspectos são prioritários e estruturantes, não podendo continuar a ser adiados, sob pena de se comprometer o futuro do sector”, refere a comissão numa nota enviada à comunicação social.

A CET defende, neste sentido, uma “aposta clara” e uma “forte intervenção pública na área da qualificação dos recursos humanos tendo em consideração a natureza da formação”, a par da “realização urgente de investimento em infraestruturas nos locais de maior afluxo de turismo (Lagoas do Fogo, Sete Cidades e Furnas, bem como Ferraria etc) e definição dos modelos de gestão”.

A CET defende ainda a necessidade de “direccionar a promoção e incentivos para combater a sazonalidade, potenciando-se recursos naturais disponíveis, designadamente o termalismo, o golfe, etc”.

Por outro lado, os empresários defendem ainda a “reestruturação da SATA Internacional” e o “reforço operacional da SATA Air Açores, de forma a dar melhor resposta com ligações interilhas mais frequentes e mais competitivas. Neste contexto, o papel da transportadora é muito relevante, pois é um instrumento poderoso para alargar os benefícios do turismo às ilhas mais pequenas”, refere a CET no mesmo comunicado.

Além disso, os emrpesários defendem ainda a realização de dois inquéritos anuais de satisfação dos turistas, um na época baixa e ou na época alta, bem como a disponibilização dos resultados em “tempo útil”.

Na mesma reunião, a CET fez um balanço positivo do ano que se passou, mas apontou também os aspectos negativos de 2017.

“A Comissão considerou que 2017 foi um ano globalmente positivo para o sector, tendo nomeadamente em consideração a continuação do crescimento significativo verificado nas diversas actividades ligadas ao sector, fruto da conjuntura económica nacional e internacional e da boa imagem geral que os Açores têm vindo a construir”, lê-se na mesma nota.

Sobre o lado negativo de 2017 para o turismo nos Açores, os empresários apontam a saída da companhia aérea de baixo custo EasyJet do mercado açoriano, a par da “instabilidade verificada na SATA Internacional e a limitação da oferta da SATA Air Açores”.

Na área dos recursos humanos, a CET refere que “continuou sem ter apoios para a formação de activos, com especial relevo nas áreas da hotelaria e restauração. Igualmente verificada falta de activos qualificados no mercado”.

Os empresários apontam ainda a “existência de custos de contexto crescentes (energia, carga fiscal, burocracia etc) e a falta de informação estatística (contas satélite do sector, inquéritos à satisfação dos turistas e consumo etc)”.

Quanto a 2018, a comissão perspectivou que “será globalmente um ano positivo para o sector, prevendo a continuação da sua evolução no sentido de um crescimento sustentado”.

“Esta perspectiva fundamenta-se essencialmente num conjunto de indicadores e de intenções, como é o caso dos transportes aéreos, em que se prevê o aumento da oferta de algumas companhias, que já se encontram a operar na Região, bem como de outras que vão iniciar a sua operação e ainda outras que manifestaram a intenção de o fazer. Igualmente se salienta é a intenção de ser dada continuidade à política regional, que vem sendo seguida, de abertura e de estímulo ao sector, que se espera em intensidade adequada”, lê-se no documento.