Açorianos nos EUA atolados em neve

neve em providenceMais de duas dezenas de pessoas morreram em consequência da tempestade de inverno “Grayson”, que se abateu quinta-feira, dia 4 de Janeiro, no Nordeste dos Estados Unidos e particularmente na Nova Inglaterra, sobretudo nos estados de Massachusetts e Rhode Island, onde reside numerosa comunidade açoriana, atingindo proporções verdadeiramente épicas e causando vários estragos, ao ponto de serem consideradas zonas de calamidade.

“Grayson” paralisou durante mais de 36 horas praticamente os grandes centros urbanos, nomeadamente Boston, MA e Providence, RI, consequência da grande acumulação de neve, ventos fortes e temperaturas excepcionalmente negativas.

 

Impossível circular em Boston

 

Em Boston, a água, o gelo e a neve tornaram praticamente impossível a circulação pelas principais artérias da cidade, paralisando todos os meios de transporte. 

Com ventos de furacão, acima de 130 km/h, a tormenta invernal provocou forte ressaca, com ondas que ultrapassaram seis metros de altura na costa dos estados de Connecticut, Maine, Massachusetts, New Hampshire e Rhode Island, com grande precipitação de neve, além de frio extremo, superior a -30°C.

Mais de 50 pessoas foram resgatadas pelas equipas de resgate dentro de veículos em estágio de hipotermia, devido ao gelo, muitas não conseguiram nem abrir portas e vidros, o que gerou momentos de desespero.

Em Marshfield, Massachusetts, água e gelo empurrados pelos ventos da tempestade invadiram a cidade, que ficou completamente alagada e congelada. 

Grande blocos de gelo entupiram bueiros e o volume de água do Atlântico provocou grandes alagamentos. 

Ao menos três pessoas morreram congeladas.

Em Salem, na costa de Massachusetts, as águas do Oceano Atlântico congelaram e avançaram com grandes e pesados blocos de gelo para dentro da cidade com as fortes rajadas de vento.

Em Fall River, New Bedford e áreas vizinhas onde residem muitos açorianos, não há vítimas a lamentar, mas a tempestade trouxe em certas zonas mais de 12 polegadas de neve e as temperaturas excepcionalmente baixas que se fizeram sentir nos dias seguintes, dificultaram ao máximo a circulação normal do trânsito. 

 

Micaelense em New Bedford: “Nunca vi igual em 40 anos”

 

“Há mais de 40 anos que resido aqui em New Bedford e nunca vi tantos dias consecutivos de temperaturas baixíssimas de congelar tudo”, disse ao “Portuguese Times” António Medeiros, natural da ilha de São Miguel, queixando-se de que a autarquia local “fez um péssimo trabalho na limpeza das ruas, registando-se ainda grandes acumulações de neve nas artérias e passeios”.

Até mesmo em Miami, na Flórida, o frio que se fez sentir matou muitos animais e aves, onde até mesmo as iguanas, que são muito comuns ao transitarem sobre as árvores da cidade, caíram congeladas ao chão, uma situação inédita, segundo as autoridades ambientais.

Todas as construções próximas, bem como veículos congelaram de modo instantâneo. 

A temperatura na região chegou a -28°C e os ventos passaram de 90 km/h.

Em Chicago, em Illinois, o Lago Michigan, que havia congelado parcialmente nos últimos dias com a primeira invasão de ar polar, nesta sexta-feira (05) estava completamente congelado em superfície, onde todos os meios de transporte foram suspensos.

Em Ocean City, em Maryland, a neve superou 60 centímetros de espessura em menos de 12 horas, o que deixou boa parte da cidade costeira completamente isolada do continente.

Em vários trechos do litoral norte-americano, centenas de animais morreram congelados por conta do frio histórico, inclusive tubarões, que apareceram mortos na orla.

 

Mais de 20 mortos

 

O balanço divulgado na tarde da passada sexta-feira pelo governo norte-americano e entidades não-governamentais indicou que mais de duas dezenas de pessoas morreram em decorrência do frio extremo, principalmente moradores de rua e que não foram colocados atempadamente em abrigos previamente preparados pelas autoridades para suportarem temperaturas de até -30°C.

De referir ainda que o frio intenso, a chuva, a neve e os ventos fortes de “Grayson” obrigaram ao encerramento de mais de 50 aeroportos afectando quase dois milhões de pessoas. 

Também houve interrupção no fornecimento de energia elétrica para mais de 800 mil habitantes e em muitas cidades, canos de água estouraram com a pressão do gelo.

Contudo, o pior já passou e as condições meteorológicas para esta semana irão melhorar consideravelmente com a temperatura a subir, designadamente nos estados de Massachusetts e Rhode Island aos 50 e até mesmo 60 graus Fahrenheit para quinta e sexta-feira (10 a 15 graus na escala de Celsius), não se prevendo nos próximos dez dias considerável queda de neve.

 

Por: Francisco Resendes, New Bedford

Exclusivo Portuguese Times/Diário dos Açores

 

“Há mais de 30 anos que não sentia tanto frio na Florida”

O Inverno também chegou aqui para os lados do sul de Florida. 

Neve nem por isso, pelo menos por agora, nesta zona onde residimos.

Mas mais um pouco a norte, a três horas donde moramos, isso sim, houve neve, embora em quantidade muito reduzida. 

As pessoas quase que entraram  em pânico, com escolas fechadas, pessoas aconselhadas a permanecerem em casa e até os parques de diversão, como a Disney World e outros, fecharam, porque o frio era assim tanto!

Aqui por estes lados, na zona de Fort Laudardale, a uma hora do norte de Miami, o frio veio feio e forte, as temperaturas desceram aos 38 graus à noite e logo pela manhã. 

Ao longo do ano saímos à rua de manga curta.

Agora, tivemos que sair de casa com camisa de dentro, camisa, camisola e até  luvas...

Já lá vão trinta anos desde a  última vez que faz assim tanto frio nesta área da Florida.

Até as iguanas ficam congeladas nos galhos das árvores e acabam por cair  no chão sem controlo algum, embora não queira isso dizer que estejam mortas (na foto). O mesmo se passa com as tartarugas marinhas. 

Queixas? 

Nem pensar!

Os meteorologistas dizem - e muito bem - que vivemos no melhor clima da América… pelo menos no Inverno. 

 

 

Por: Jack Couto, em Fort Laudardale, Florida

Especial para Diário dos Açores