Relatório da auditoria à SINAGA demonstra “intervenção irresponsável” do Governo, acusa PSD/A

sinaga1O deputado e porta-voz do PSD/Açores para a Economia e Finanças, António Vasco Viveiros, considera que as conclusões do Tribunal de Contas inscritas no relatório da auditoria à SINAGA, agora divulgado, “demonstram por A mais B que o Governo Regional teve uma intervenção irresponsável naquela empresa”. 

“As conclusões que constam do relatório da auditoria do Tribunal de Contas à SINAGA são claras quanto à intervenção irresponsável do Governo regional nesta empresa, cuja má gestão traduziu-se em graves prejuízos para o erário público e para o fim da actividade daquela unidade industrial centenária”, afirmou. 

Segundo o deputado, “é particularmente grave” a conclusão do Tribunal de Contas, inscrita no relatório, de que não foi implementado qualquer plano de viabilização da empresa, não obstante o Conselho de Administração ter elaborado dois documentos com essa finalidade, um em 2012 e outro em 2013, “que não chegaram a ser apreciados pela Assembleia Geral da sociedade”, frisa. 

O parlamentar salienta ainda do relatório o facto de, no período em análise pelo Tribunal de Contas, o executivo regional não ter emitido orientações estratégicas para a SINAGA, nem ter celebrado contrato de gestão com os gestores públicos.

“Perante esta irresponsabilidade do Governo Regional, a actuação do concelho de administração foi essencialmente direccionada para a gestão corrente da empresa, num contexto de ausência de liquidez e da persistente necessidade do recurso ao endividamento bancário”, sublinha António Vasco Viveiros. 

Desde 2010, ano em que o Governo Regional, através da Ilha de Valor, adquiriu 51% do capital social de Sinaga quando foram injectados pelo ececutivo açoriano 4,8 milhões de euros para reforço do capital social e atribuídos ainda 2,2 milhões de euros de subsídios de exploração, num total de 7 milhões de euros. 

“Os açorianos terão de suportar uma fatura muito pesada pela forma irresponsável como o Governo regional conduziu a sua intervenção nesta empresa, contribuindo para o fim da laboração de beterraba sacarina na ilha de São Miguel, deixando, para além das verbas despendidas com a empresa, também mais de 20 milhões de euros de financiamentos bancários avalizados, cujo património da empresa será manifestamente insuficiente para a sua cobertura”, explicou o deputado.

António Vasco Viveiros afirma ainda que se afigura “especialmente grave” a intervenção da Sinagainagaa na empresa Melo Abreu, “apesar da sua situação financeira desastrosa”, com vista a suportar 1,6 milhões de euros de encargos da cervejeira, “servindo assim de mero veículo do Governo regional”.

 

PS: Relatório do TdC confirma o valor pago pelo Governo no capital da SINAGA 

O deputado do Grupo Parlamentar do PS/Açores, José Ávila, criticou por sua vez as declarações do deputado social-democrata, António Viveiros, sobre a SINAGA e sobre a Melo Abreu e defendeu que o relatório do Tribunal de Contas (TdC), referido pelo PSD, vem “confirmar e concluir que o valor pago pelo Governo dos Açores, através da empresa pública Ilhas de Valor, pelo capital social da SINAGA, afinal correspondeu à verdade e ao que sempre foi dito pelos responsáveis públicos”.

“Assinalamos ainda a postura do Governo Regional dos Açores, que já indicou que acatou as recomendações do Tribunal de Contas, de forma a manter a transparência e a garantir o cumprimento dos procedimentos legais”, acrescentou o deputado, coordenador do PS/Açores na Comissão de Economia.

José Ávila considera lamentável “a posição do PSD/Açores, que se manifesta, frontalmente, contra o investimento realizado pelo Governo em empresas regionais históricas e estratégicas como a SINAGA e a Melo Abreu e, por conseguinte, contra a manutenção dos respetivos postos de trabalho”. O deputado do PS/Açores considera que esta postura dos social-democratas confirma “que aquele que se apelida de defensor das empresas – o PSD -, afinal pretendia que o Governo deixasse a SINAGA e a Melo Abreu entrar em insolvência”.