Menos primeiras consultas e menos cirurgias no hospital de P. Delgada

Hospital interiorNos primeiros quatro meses deste ano o Hospital de Ponta Delgada realizou menos 2,5% de cirurgias em relação ao mesmo período do ano passado e menos 2,10% de primeiras consultas.

Os números são revelados pelo Conselho de Administração do Hospital no último número do jornal daquela unidade.

De Janeiro a Abril deste ano foram realizadas 2.617 cirurgias, quando no ano anterior tinham sido 2.686.

Quanto às consultas, foram realizadas, no mesmo período, 16. 565 como primeiras consultas, quando no mesmo período do ano passado tinham sido 16.920.

Nas consultas subsequentes foram realizadas 44.584, menos 1,48% do que as 45.253 do ano passado.

No ato médico sem doente registam-se este ano 13.132, mais do que as 10.089 do ano anterior.

Somando todas, registam-se 74.281, mais do que as 72.262 do ano passado, um aumento de 2,79%.

Naquele período foram realizados no Hospital de Ponta Delgada 478 partos, mais do que os 454 do ano passado, um aumento de 5,2%.

165 foram por cesariana, quando no ano passado foram 159, mais 3,77%.

Nestes primeiros quatro meses as Urgências atenderam 38.667 pessoas, mais 2,62% do que no ano passado (37.679).

 

Hospital do Dvino perde dois enfermeiros e três médicos

 

O Hospital de Ponta Delgada ficou com menos três médicos e dois enfermeiros a partir de Abril passado.

Os enfermeiros são André Filipe Frontoura e Genuína Maria Gomes, que cessaram funções a 14 de Março e 1 de Abril, e os médicos são Carlos Melo Bento, Francisco Afonso Lopes e Emanuel Santos Esgaio, segundo revela o Conselho de Administração.

 

 

“Uma vergonha” aumento das listas de espera

 

O deputado do PPM ao parlamento dos Açores, Paulo Estêvão, criticou o aumento do número de doentes em listas de espera nos três hospitais da Região, problema que considera ser “uma vergonha” para a região.

“Temos mais de dez mil pessoas nas listas de espera cirúrgica. É inadmissível. É uma vergonha para todos nós”, lamentou o parlamentar monárquico, que falava no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, reunida na Horta, na apresentação de uma declaração política sobre saúde.

No seu entender, o executivo açoriano já devia ter dado prioridade a esta matéria, para que as listas de espera deixassem de fazer parte da agenda política, mas na realidade, o que se tem verificado é que o problema “agrava-se de ano para ano”.

“Temos de parar para pensar no sofrimento que tudo isto significa. No purgatório que cada dia de espera significa para cada um dos doentes. Na persistência de uma dor que podia ser retirada. Nas vidas adiadas de tanta gente que aguarda a intervenção cirúrgica para recomeçar a sua vida”, insistiu o deputado do PPM.

Para Paulo Estêvão, “não  é  admissível” que existam salas de bloco operatório encerradas ou a funcionar muito longe do seu potencial, em algumas unidades de saúde do arquipélago, apenas porque faltam enfermeiros ou camas. Mas José San Bento, deputado da bancada do PS, lembrou que os problemas das listas de espera nos Açores “não se resolvem com uma varinha mágica”, recordando que também na Madeira, no continente português e em muitos outros países se verificam idênticos problemas.

“Este problema das listas de espera não resulta de uma insensibilidade do governo ou do senhor secretário, nem resulta de uma eventual incompetência dos conselhos de administração dos hospitais”, insistiu o deputado socialista, para quem o problema reside na ausência de anestesistas e de outros especialistas cirúrgicos, o que “impede” que se consiga resolver o problema “de uma vez por todas”.

Luís Maurício, deputado do PSD, teme, no entanto, que o número de açorianos em listas de espera cirúrgicas seja superior aos dez mil referidos pelo PPM, recordando que aquele dado estatístico é relativo ao final de Fevereiro, porque o Governo não actualizou, entretanto, os dados.

“É por isso que o seu governo não faz publicar os resultados, porque eles não são favoráveis”, acusou o parlamentar social-democrata, recordando que, só no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, “há mais 1.717 doentes em espera” de Fevereiro para cá.

Artur Lima, do CDS, aproveitou a ocasião para fazer um apelo ao Secretário Regional da Saúde, para que tente resolver o problema de um doente da ilha Terceira que “está há mais de cinco anos a aguardar por uma cirurgia à anca”.

“É admissível esperar uns meses, é doloroso esperar um ano, é penoso esperar três anos, mas é cruel esperar mais de cinco anos”, apontou o parlamentar centrista, apelando ao executivo para que “acuda a esta gente”.

Na resposta, o titular da pasta da Saúde na Região, Rui Luís, lembrou que o problema das listas de espera não é fácil de resolver, reconhecendo que existem doentes que estão há demasiado tempo a aguardar por uma cirurgia.

“É verdade. Temos pessoas há cinco anos e até temos mais, há seis anos, em algumas especialidades”, admitiu o governante, garantindo que o executivo está a fazer “um esforço” para que se criem nos hospitais condições para dar resposta aos doentes que estão há mais tempo a aguardar por uma intervenção cirúrgica.

Rui Luís lembrou que o Governo está também a tomar outras iniciativas, com vista à redução das listas de espera, que passam por uma reforma ao nível da gestão dos médicos especialistas e pela optimização das deslocações de doentes, entre outras medidas.