Robôs e inteligência artificial exigirão um novo tipo de convivência nas empresas e na vida

robô sofia

A pergunta que ainda assusta muita gente já está respondida: sim, a inteligência artificial fará dos robôs seres superiores aos humanos.  E por razões muito simples. 

Primeiro porque várias cabeças pensam melhor do que uma. São vários programadores a imputar informações de todo tipo num único “cérebro” robótico. Ou seja, a inteligência dos robôs é composta por informação de ponta, apoiada na capacidade infinita de armazenagem de dados “da nuvem”, ou cyber space.  Segundo, porque um robô pode assumir jornadas de 24 horas por dia, sete dias por semana, sem ferir leis do trabalho. Por último, eles não adoecem e qualquer erro pode ser facilmente reparado, mesmo à distância. 

Portanto os robôs terão muito mais repertório para resolver qualquer questão e vão dominar, sem cansaço, os empregos e tarefas de repetição, que deixarão de existir muito em breve. 

Outra linha da robótica vai ocupar se com as actividades de precisão ou das actividades que são executadas em condições muito adversas ou impossíveis aos humanos. Como nos filmes de ficção, vamos aprender a conviver com eles e dar o seu devido valor. 

 

A robótica nos Açores

 

Nos Açores, diversas medidas ligadas ao PACCTO - Plano de Acção para a Cultura Científica e Tecnológica dos Açores têm vindo a ser tomadas para o desenvolvimento da robótica e do pensando algorítmico, a base matemática da inteligência artificial.

Desde o início do ano, a Escola de Novas Tecnologias dos Açores – ENTA, em São Miguel, já conta com clube e curso na área da robótica, a par de outras instituições de ensino que têm parte do estudo voltado para a nova matéria, como a Escola Secundária Manuel de Arriaga, na Horta, escolas básicas e secundárias de Santa Maria e das Flores, Escola Básica Integrada de Angra do Heroísmo e ainda em São Miguel, a Escola Secundária das Laranjeiras. 

Foi anunciada, até o fim de 2018, a criação de mais 11 clubes pela programação robótica, somando um investimento total de 60 mil euros. 

Já no palco do Web Summit, os robôs “celebridade” e seus criadores marcaram presença. Sophia, o robô mais conhecido da actualidade, encantou a todos com seus comentários, maneirismos e expressões. 

(foto robô Sophia)

Aliás este é o foco actual dos programadores: atribuir o gestual humano, porque são eles que transformam as máquinas “sem vida” em robôs “com alma”. No dia anterior à conferência, Sofia esteve em Malta, falando em direto de uma rádio. Ela já pode andar e arrisca uma dancinha. Com aparência e delicadeza inspiradas na actriz Audrey Hapburn, a robô interagiu diante de uma plateia de mais de 20 mil pessoas na Altice Arena, com mais um replicante, o seu “irmão robô” Ham. 

Conduzindo os trabalhos, o mentor e cientista Ben Goertzel pareceu tão excêntrico quanto seus robôs. O cientista nasceu no Brasil, mora em Hong Kong, é CEO e o fundador da Singularity Net, acumulando actualmente 17 ocupações no seu currículo. Na indústria, na academia e junto às autoridades governamentais, Goertzel é o porta-voz a favor do desenvolvimento da inteligência artificial e da produção massiva de robôs. 

Segundo Goertzel, “os robôs já nascem mais inteligentes que nós, mas a convivência pacífica dependerá da forma como serão ‘criados’, dos valores que lhes serão ensinados, assim como fazemos com as crianças”. Goertzel deixou claro que os robôs alimentados pela inteligência artificial não podem ser confundidos com as novas tecnologias do tipo “machine learning”, em que grandes sistemas de dados “aprendem” a interagir com seus usuários, a partir das informações disponíveis. “São estradas diferentes”, comentou Goertzel, “sem vida, sem aprendizado de longo prazo”. 

Se por um lado há uma preocupação generalizada na regulamentação do comportamento na web, na Singularity NET a direcção é oposta. 

O projecto actual da empresa prevê uma rede colaborativa, por meio de uma plataforma descentralizada, sediada no ‘cyber space’, aberta a qualquer programador que queira participar. Outra iniciativa pelo fomento da robótica mundial é a Singularity Studio, fundação benemerente, cujos recursos serão revertidos para Fintechs e Buytechs, investidoras e incubadoras, os novos “bancos” da economia criativa. 

Se por um lado a robótica está em constante pesquisa, o combustível que os torna “vivos” - as grandes redes de transmissão de dados, terão que ser amplificadas na mesma medida, um grande desafio em termos de infraestrutura básica para qualquer administração pública. 

No Web Summit ocorreram problemas de comunicação com a robô Sofia em função de uma conexão “fraca”, apesar da uberconexão disponível no evento. Esse é um exemplo sobre como a performance de um funcionário robô poderia ser o que comprometida em suas funções. Então as cidades inteligentes deverão acompanhar esse novo cenário também. 

Outra polémica em torno dos humanóides reside na cidadania e nos direitos robóticos. As estatísticas mostram que os humanos desrespeitam com toda sorte de vandalismos os robôs existentes. E isso será uma colcha de retalhos difícil de costurar. Cada um dos países e depois, todos juntos, terão que organizar legalmente os modos operantes entre humanos e robôs. 

Por outro lado, os robôs também têm surpreendido os cientistas com comportamentos e respostas inesperadas. Pode ser fascinante à comunidade científica, mas demonstra que nem tudo está 100% sob controlo, factor que poderá ser uma faca de dois gumes até 2050 e ainda necessita de refinamento e estudo. O facto é que a sociedade tem que ser escalada na humanidade. Esta deve ser a base para a convivência pacífica entre robôs e pessoas.

 

Por: Marisa Furtado, em Lisboa, para o Diário dos Açores