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Movimento de mercadorias no porto de Ponta Delgada cresceu no 1º trimestre

Porto de Ponta DelgadaO movimento de cargas e descargas no porto de Ponta Delgada aumentou 0,9% no primeiro trimestre deste ano, quando comparado com período homólogo, revelou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os dados a que o nosso jornal teve acesso, nas mercadorias carregadas regista-se um crescimento de 3,7%, mas nas descarregadas há uma diminuição de 0,1%.

As mercadorias geradas pelo tráfego nacional diminuíram 0,5%, enquanto que no internacional cresceu 4,6%.

Ao contrário, o porto da Praia da Vitória teve uma quebra de -0,6% no movimento de mercadorias, em todas as categorias, registando apenas um crescimento no tráfico internacional.

Quanto ao 4º trimestre de 2016, o porto de Ponta Delgada regista crescimentos em todas as variantes, com um global de mercadorias carregadas e descarregadas de 12,1%.

O maior crescimento registou-se nas mercadorias carregadas, com 17,5%, mas também nas descarregadas regista-se um aumento de 9,7%.

O tráfego nacional subiu 12,8% e o internacional também regista um aumento de 9,5%. O porto da Praia da Vitória também regista aumentos.

 

Portos nacionais com aumentos substanciais

 

No continente, o porto de Sines, com 12,5 milhões de toneladas, continuou a registar aumentos substanciais no movimento total de mercadorias (+17,2%, após aumentos de 23,2% e 21,0% no 4ºT e 3ºT 2016, respectivamente), e correspondeu a 52,9% do total do movimento de mercadorias nos portos nacionais.

Também o porto de Aveiro registou um aumento significativo (+18,0%), tal como no 4ºT 2016 (+20,4%).

Lisboa e Leixões registaram acréscimos de 12,5% e 8,5%, invertendo as evoluções negativas do trimestre anterior (-4,3 e -7,3%, respectivamente).

Setúbal continuou a apresentar reduções no movimento (-11,3%, após -20,8% no 4ºT 2016).

 

Turismo cresceu 17,6% nos primeiros quatro meses deste ano

turista sete cidadesO sector do Turismo nos Açores cresceu 17,6 %, nos primeiros 4 meses, relativamente a igual período do ano passado, mantendo assim um aumento significativo, mesmo na época baixa.

Havia a suposição de que o crescimento percentual não seria tão elevado este ano, porque seria comparado com os valores já elevados registados no ano passado, mas, pelos vistos, a procura pelo destino Açores, tal como expressam os testemunhos dos operadores, confirma-se nos números.

Neste período, de Janeiro a Abril, o volume te dormidas aumentou em todas as ilhas à excepção de Santa Maria que mostra uma quebra de -2%.

 

Rafael Cota/Texto e gráfico 

Para Diário dos Açores

 

Açorianos voltam a recorrer à banca para crédito à habitação

Ponta Delgada vista aereaO crédito à habitação está a aumentar nos Açores, acompanhando a tendência nacional, devido às maiores facilidades que a banca nacional voltou a adoptar na concessão deste tipo crédito.

Segundo fonte bancária, as taxas praticadas indexadas à Euribor também têm ajudado a uma maior procura, fazendo com que os Açores tenham sido a região q ue mais cresceu no ano passado na aquisição de casas.

O crédito concedido pela banca nos Açores, no ano passado, foi de 3.691 milhões de euros, muito mais do que os depósitos, que atingiram os 2.623 milhões de euros.

Os Açores bateram todos os recordes no ano passado, com um crescimento na transacção de alojamentos que atingiu os 38,9%.

O valor dos alojamentos transaccionados nos Açores ultrapassou os 156 milhões de euros, traduzindo-se no maior aumento regional quando comparado com 2015.

 

Prestação baixa a partir deste mês

 

As últimas notícias indicam que as famílias com créditos à habitação indexados à taxa de juro Euribor a seis meses vão continuar a pagar menos ao banco todos os meses já a partir deste mês.

Segundo cálculos da DECO, um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos com um spread de 1%, vai passar a pagar menos 2,43 euros.

Já quem tem contratos de crédito à habitação indexados à Euribor a três meses deve manter a sua prestação mensal. 

 

Banco CTT baixa spread do crédito à habitação

 

O Banco CTT vai descer o spread do crédito à habitação, anunciou o banco dos correios em comunicado. 

A oferta de crédito habitação foi lançada no início deste ano e foi revista esta Segunda-feira, reduzindo o custo global dos empréstimos (TAER) para compra de casa.

 “Quem contratar crédito junto do Banco CTT poderá agora contar com um spread desde 1,30%. 

A redução de spread vai fazer-se sentir em todos os montantes”, diz o banco em comunicado enviado às redacções. 

A oferta inicial dos CTT previa um spread de 1,75% para todos os clientes.

 Os CTT lembram que a oferta de crédito habitação Banco CTT “mantém a simplicidade”, requerendo apenas a domiciliação de ordenado na conta Banco CTT, uma conta à ordem sem custos de manutenção, e a subscrição dos seguros vida e casa no Banco CTT, “sem ser necessário aderir a outros produtos para beneficiar de um spread competitivo”.

 

Preço das rendas de habitação

 

De acordo com os resultados apurados pelo INE em Maio de 2017, o valor médio das rendas de habitação por metro quadrado de área útil registou uma variação mensal de -0,1% (taxa idêntica à registada no mês anterior). 

A região com a variação mensal mais elevada foi a do Centro, com uma taxa de 0,2% e a região com variação mensal mais baixa foi a dos Açores, com uma taxa de -0,3%. 

Em termos homólogos as rendas de habitação aumentaram 0,9%. 

A região com a variação homóloga positiva mais elevada foi a da Madeira (3,2%), enquanto a região do Norte apresentou a variação mais negativa (-0,4%)

 

Micaelenses estão a produzir mais lixo

lixoOs micaelenses estão a produzir mais lixo, segundo dados da MUSAMI relativos ao ano passado, a que o nosso jornal teve acesso.

Em 2016 o encaminhamento de resíduos à entrada do Ecoparque da ilha de S. Miguel atingiu as 80.851 toneladas, quando no ano anterior tinham sido 77.030 toneladas.

Destes resíduos, 64.434 toneladas foram encaminhadas para o aterro, 7.134 toneladas para o Centro de Triagem, 2.685 toneladas para o Ecocentro e 6.258 toneladas para o Parque de Verdes.

Dos resíduos recicláveis, 1.715 toneladas foram vidro, 3.710 toneladas foram papel/cartão e 1.802 toneladas foram plástico e metal.

A MUSAMI, recorde-se, abrange cinco municípios de S. Miguel (Ponta Delgada, Ribeira Grande, Lagoa, Vila Franca do Campo e Povoação) e tem à sua responsabilidade a gestão, valorização e tratamento dos resíduos urbanos produzidos nesses cinco municípios.

 

4 milhões de volume de negócios

 

A empresa possui 18 colaboradores e tem um volume de negócios de 4 milhões de euros.

No ano de 2016, a MUSAMI diz ter atingido os objectivos aos quais se propôs, porém, avança que “deverá reflectir-se sobre alguns indicadores, como, por exemplo: prazo médio de recebimentos, prazo médio pagamento, fornecimentos não conformes e desvio de matéria orgânica de aterro”.

A empresa salienta a satisfação dos clientes, com um grau de satisfação médio de 82,9%, destacando-se os visitantes com um grau de satisfação de 94,46%.

Outro factor preponderante - acrescenta - refere-se à qualificação de fornecedores da MUSAMI, com uma média de avaliações de cerca de 89%, e a sua satisfação com um grau médio de 97,14%.

De modo a potenciar o desvio de matéria orgânica de aterro, a MUSAMI possui um parque de verdes, onde são depositados os resíduos orgânicos que chegam ao Ecoparque da ilha de São Miguel, mais concretamente os restos de jardinagem, desde cortes de relva, podas de árvores, troncos e madeira não contaminada, que são transformados em composto orgânico 100% natural (FO-MUSAMI), especialmente recomendado para a produção intensiva em hortifruticultura em estufa e ao ar livre, puro ou misturado com a terra.

 

6.599 toneladas de resíduos verdes

 

Em 2016, a MUSAMI conseguiu desviar de aterro cerca de 6.599 toneladas de resíduos verdes, que deram entrada no parque de verdes para valorização dos resíduos por compostagem.

Foram produzidas 1.470 toneladas de FO-MUSAMI.

Quanto ao aterro, a decomposição da matéria orgânica presente nos resíduos urbanos (RU) produz o biogás, essencialmente composto por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2). 

De modo a minimizar as emissões de gases com efeito de estufa para atmosfera, e recuperar energia.

No ano de 2016, foram entregues directamente no aterro sanitário 64.434 toneladas de resíduos indiferenciados, dos quais 5.6187 toneladas têm origem nas recolhas efectuadas pelos municípios.

Em 2016 pôde-se constatar um aumento da entrada de resíduos no Ecoparque da ilha de São Miguel, um aumento de 7,01% nos resíduos indiferenciados e 19,43% nos resíduos selectivos. 

 

Experiências com FO-MUSAMI

 

Desde 2011 até à presente data, foram realizados muitos ensaios com a cultura do ananás em estufas clássicas de vidro e em estufas do tipo industrial em que o FO-MUSAMI foi comparado com a leiva com lenha verde em molho (prática antiga) ou triturada (prática actual) e com vermicompostos (VC). 

Os ensaios foram desenvolvidos aplicando as técnicas do passado, estas consideradas mais adequadas do que as actuais e os resultados finais, em peso e qualidade do fruto, foram quase sempre melhores com o FO do que com os restantes compostos. 

Em vaso e em estufa foi estudada a produção de alfaces, agriões, crisântemos e de plantio de maracujá, comparando o FO com outros compostos orgânicos especialmente recomendados para as culturas em estudo e os resultados foram significativamente melhores com o FO.

Em estufa, foi ainda estudada a produção de tomate e de melancia aplicando diferentes concentrações na mistura de FO+Terra e os resultados foram melhores para as mais elevadas concentrações de FO (100%), com incrementos relativos muito bons acima dos 10% de FO. salienta a MUSAMI.

“Não tenho saudades absolutamente nenhumas da política”

luiz fagundes duarteLuiz Fagundes Duarte, um nome mais do que conhecido dos Açores. Escritor, ensaísta, investigador, professor e com passagem na política como Director Regional da Cultura, Secretário Regional da Educação e deputado na Assembleia da República. Ao longo da sua vida diz que conheceu muitas pessoas interessantes da vida cultural portuguesa do século XX. “Com algumas delas privei, de algumas fui amigo. E sobre muitas delas fui escrevendo textos que foram sendo publicados em jornais, revistas, catálogos de exposição, votos parlamentares e, até, como capítulos, prefácios ou posfácios de livros. Feito o juízo do tempo, achei que talvez valesse a pena exumar alguns desses textos dos suportes passageiros em que haviam ficado, e consolidá-los num livro. Assim o fiz, o livro tem por título Retratos Imperfeitos, e encontrei um editor benévolo que aceitou publicá-lo”. É deste novo livro que fala nesta entrevista que concedeu ao “Diário dos Açores”.

No novo livro fala de Leite de Vasconcelos, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Jorge Amado, Ernesto Guerra da Cal, Vitorino Nemésio, António Dacosta, Ruy Cinatti, Celso Cunha, Lindley Cintra, Marquesa de Jácome Correia, Raul de Carvalho, Pedro da Silveira, Fernando Vieira, Natália Correia, Dias de Melo, Olga Gonçalves, Maria Ondina Braga, Emanuel Félix, Daniel de Sá, David de Almeida e Rui Duarte Rodrigues. “E também de um encontro de poetas. E naturalmente do Parlamento, onde durante doze anos representei os Açores”, sublinha.

O livro vai ser apresentado em sessão pública, que decorrerá no dia 18 de Junho de 2017, pelas 18h30, no auditório da Livraria Férin, ao Chiado, em Lisboa.  

Francisco Louçã, que além de homem de cultura foi seu colega na Assembleia da República, irá fazer a apresentação da obra. 

 

‘Retratos Imperfeitos’ nasce apenas da sua observação e conhecimento das pessoas com quem privou, ou é também uma forma de mostrar exemplos de vida de pessoas que admira?

Este livro nasceu de um conjunto de coincidências, a principal das quais foi eu ter estado no momento certo com as pessoas certas e, espero, no papel certo. 

Em nenhum dos casos apresento as pessoas ou as obras de que falo como exemplos do quer que seja, mas apenas como personalidades que conheci, ou com quem de algum modo interagi, e cujas histórias de vida, ou obras, ou pensamentos e atitudes de alguma maneira me despertaram o interesse e, por que não?, o afecto. 

 

Houve algum critério na escolha dos ‘retratos’ ou é uma iniciativa que terá continuação com outras personalidades?

Quando decidi construir este livro, utilizei apenas dois critérios para a selecção dos textos que o integrariam (e fi-lo de entre as muitas dezenas que escrevi): serem sobre pessoas já falecidas, e terem elas desempenhado um papel importante, ou de qualquer modo significativo, na minha vida enquanto crítico ou divulgador de autores e das suas obras, e enquanto pessoa.

 Na sua maioria, são textos em que revelo afectos, que escrevi sobre pessoas que conheci pessoalmente (com a excepção óbvia de Leite de Vasconcelos e de Aquilino Ribeiro) e com quem mantive relações de maior ou menor intensidade. 

Como não escapará a qualquer leitor mais atento, são diversos os registos que utilizei nestes «retratos»: em alguns, fala o crítico ou o divulgador de obras literárias que fui durante vários anos, designadamente no «JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias» e na revista «Colóquio/Letras», da Fundação Gulbenkian; em outros, fala o investigador e filólogo; em outros ainda, fala o amigo. 

Em alguns textos, utilizo um discurso mais literário; noutros, um mais jornalístico. 

Em todos eles fala um homem que um dia teve 30 anos e agora tem 60, e que não tem qualquer problema em assumir os altos e baixos do seu percurso de vida enquanto intelectual…

 Até porque aqui se encontram, seguramente, textos desiguais em termos da sua qualidade intrínseca. 

Contar histórias como as que conto acerca destas personalidades é, no fundo, contar a minha própria história pessoal, que não concebo sem ser em interacção com os outros que, nestes casos, foram pessoas de excepção. 

 

De todos, quais as personagens que mais o fascinaram?

Creio que isso se poderá facilmente deduzir a partir da leitura do livro, que eu não gostaria de condicionar.

 Mas não poderei deixar de salientar pessoas como Ruy Cinatti, António Dacosta, Guerra Da Cal, Pedro da Silveira, Maria Ondina Braga ou David de Almeida, que para além de meus amigos pessoais foram personalidades fascinantes enquanto pessoas e enquanto artistas; ou Vitorino Nemésio, Natália Correia ou Lindley Cintra, sobre cujas obras trabalhei ou que, no caso de Cintra, me formaram enquanto homem e intelectual e académico.

 Mas que fique uma certeza: todos me fascinaram, sendo essa a razão por que aqui estão… 

 

Não é muito vulgar publicar-se sobre as personalidades com quem convivemos. É mais difícil o género?

As pessoas de quem aqui falo não estão aqui apenas porque com elas convivi, sendo disso exemplo os casos já referidos de Leite de Vasconcelos ou de Aquilino Ribeiro. 

Estão aqui, porque foram pessoas de grande qualidade. 

Eu nunca escreveria, e muito menos publicaria, sobre pessoas que conheço ou com quem convivo apenas pelo facto de o serem: amigos, vizinhos, colegas ou familiares: isso seria mexerico, inconfidência ou «voyeurismo»; escrevo, sim, sobre pessoas que tiveram intervenção pública, que têm obra publicada, e a quem reconheço qualidade. 

Porém, nestes casos concretos, entendi escolher algumas por quem, para além do seu inegável valor enquanto pessoas e escritores, filólogos ou artistas, nutri algum sentimento afectivo. 

O que é uma tarefa difícil e, até, perigosa: até que ponto o afecto que temos por uma pessoa condiciona o juízo que sobre a sua obra fazemos?

 E mais: será que poetas praticamente desconhecidos, como Fernando Vieira ou Rui Duarte Rodrigues, estariam neste livro se não tivessem sido meus amigos?  

O que me leva a recordar um caso do passado: quem seria hoje Roberto de Mesquita, um grande poeta simbolista português que quase nunca saiu da sua Flores natal, se Vitorino Nemésio e, mais tarde, Pedro da Silveira, não tivessem escrito sobre ele? 

Poderá dizer-se que terá havido a solidariedade açoriana… mas o facto é que Roberto de Mesquita seria sempre um dos melhores poetas simbolistas portugueses, só que desconhecido…

 Ou seja, Vitorino Nemésio e Pedro da Silveira tiveram toda a razão em revelá-lo ao mundo não porque ele fosse açoriano como eles, mas apenas porque era um grande poeta. 

Se eu puder contribuir para que Fernando Vieira ou Rui Rodrigues sejam mais conhecidos, independentemente de o meu juízo crítico sobre eles poder ser embotado pelo afecto, já terá valido a pena. 

 

A mistura de gente dos Açores com gente de outras paragens é a prova de que o mérito cultural de cada um não tem fronteiras? 

Exacto. Ao longo dos anos em que fui escrevendo sobre personalidades da área cultural, nunca me preocupei com a origem geográfica de cada uma delas. 

Eu sempre fui contra a ideia de se valorizar pessoas por cá pelo facto de serem açorianas ou não: valorizo-as por aquilo que são como pessoas e como criadores. 

Nemésio, Dacosta ou Natália foram grandes artistas no contexto da cultura portuguesa e, no caso de Dacosta, da cultura europeia. 

E se aqui estão alguns açorianos menos conhecidos no contexto nacional – como Dias de Melo, Daniel de Sá ou Rui Duarte Rodrigues –, é tão só porque gostei deles e porque, independentemente do grau de divulgação das suas obras, eu os considero como escritores de qualidade. 

Além, naturalmente, de terem sido meus amigos. 

 

Haverá lançamento nos Açores?

A editora «Companhia das Ilhas», que edita o livro, tem sede e actividade regular nos Açores; eu sou açoriano, é nos Açores que tenha a minha residência oficial, e durante dezoito anos estive ao serviço dos Açores, no Governo e na Assembleia da República; e nove das vinte e duas personalidades individuais de que me ocupo neste livro eram açorianas (Vitorino Nemésio, António Dacosta, Marquesa de Jácome Correia, Pedro da Silveira, Natália Correia, Dias de Melo, Emanuel Félix, Daniel de Sá e Rui Duarte Rodrigues) – pelo que faz todo o sentido que haja lançamentos nos Açores. 

Isso ficará, no entanto, ao critério do editor, que poderá contar com a minha total disponibilidade.

 

Saudades da política ou foi apenas uma passagem? Grato ou desiludido?

Absolutamente nenhuma. Em 1996, quando fui convidado para ser Director Regional da Cultura, abandonei uma carreira académica e universitária, no país e no estrangeiro, para me dedicar à minha terra de origem, prejudicando assim essa mesma carreira (e perdendo dinheiro).

 O mesmo aconteceu quando fui para a Assembleia da República, onde desempenhei o cargo não partidário mais elevado que um deputado pode ocupar sem ser o de presidente ou vice-presidente da própria Assembleia: fui Presidente de Comissão Parlamentar (no caso, da Educação e Ciência). 

E mais ainda quando voltei ao Governo dos Açores, como Secretário Regional da Educação, Ciência e Cultura, tendo a prévia desconfiança de que as coisas nunca poderiam correr bem, como de facto aconteceu, considerando as características de certas pessoas e o peso de alguns interesses instalados. 

Mas uma coisa é certa: sempre que me pediram para servir os Açores, disse «presente!»; e quando me mandaram embora, regressei à minha actividade profissional, que na realidade nunca abandonei – porque felizmente nunca precisei da política para viver ou sobreviver. 

O que, tudo somado, me dá um direito inalienável: o de poder criticar quando para tal tenho motivo ou a tal me disponho. 

Pergunta-me se tenho saudades da política? Não!: eu nunca me senti «um político», mas tão só um cidadão que cumpriu o seu dever de cidadania aceitando intervir na coisa pública em diversos patamares de responsabilidade. 

Se me sinto grato? Sim!: aprendi a conhecer melhor as nossas ilhas e as suas gentes, e por via disso o nosso país; e aprendi a distinguir aquilo que vale a pena daquilo que o não vale. 

Se me sinto desiludido? Não!: quem faz o que deve fazer, e o faz como acha que deve fazê-lo, mesmo que não agrade a alguém ou passe por cima de algum interesse que em consciência e por convicção considera nocivo para o bem público, nunca se pode desiludir. Até porque em política não pode haver ilusões; quando muito, sonhos. 

Uns bons, outros maus. 

 

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Foto de Andreia Luis