Operação da SATA com 7,4 milhões de prejuízos

sata-internacionalO Grupo SATA apresentou um resultado negativo de 3,5 milhões de euros no ano de 2010, mas a análise do Relatório e Conta, ontem finalmente tornado público, revela uma situação bem mais complexa e até eventualmente perigosa em termos da exploração da empresa.

A verdade é que tanto a SATA Internacional como a SATA Air Açores relevaram prejuízos em 2010. E se no ano passado a empresa se vangloriava de ter conseguido um resultado positivo em 2009 (cerca de 1 milhão de euros), quando aquele ano era considerado pela IATA "como o pior ano para a aviação comercial desde a 2ª guerra mundial, sendo mesmo chamado de "Annus Horribilis", como a empresa destacava na sua apreciação das Contas, fica por se perceber como será 2010 considerado ao nível interno da empresa. O facto é que essa apreciação, que em geral é feita em forma de "press release", este ano não existiu. E à Antena 1, um porta-voz da empresa disse mesmo que "não comentava" os resultados, alegando que o presidente da empresa "já havia dado uma entrevista sobre o assunto a um jornal local".

À parte o exotismo destas posições, o mundo SATA em 2010 ficou bem mais endividado e com menor capital próprio, tendo ao mesmo tempo aumentado o seu número de funcionários. Para além desses aspectos, a dependência aos capitais públicos, injectados pelo Governo Regional, está maior.

A SATA Internacional, que opera entre o arquipélago e o exterior, apresentou um resultado líquido negativo de quase 3,9 milhões de euros.

A SATA Air Açores, que opera no interior das ilhas e na ligação entre o Funchal e o Porto Santo, registou um prejuízo de 3,5 milhões de euros. O seu capital próprio baixou de 31,5 milhões para 27,7 milhões, para absorver esse prejuízo. O seu activo aumentou de 111,7 milhões para 159,5 milhões, mas o seu passivo passou de 80 milhões para 131,8 milhões de euros, devido à aquisição da sua nova frota. Até que ponto a empresa será capaz de assimilar esse aumento do passivo sem degradar ainda mais a sua posição financeira é a grande questão dos próximos anos.

O facto é que os novos aviões em 2010 contribuiram para um aumento dos rendimentos de 66,3 para 69,2 milhões, mas os gastos operacionais aumentaram ainda mais, de 64,7 para 70,9. Só em peças sobressalentes para os aviões Q 200 e material para carga e descarga dos aviões para os Q 400, a empresa investiu cerca de 7,6 milhões de euros.

Os novos aviões conseguiram reduzir o número de voos, de 12.973 em 2009 para 12.032 em 2010, houve um aumento do número de passageiros de cerca de 3 mil (de 410 mil para 413 mil), mas foi insuficiente para evitar uma redução do "load factor" (que corresponde à taxa de ocupação), baixando de 62,3% para 60%.

Os gastos com os funcionários baixaram de 28 para 25 milhões, mas na realidade o seu número aumentou de 696 para 707. O resultado é que o seu peso continua a ser enorme, sendo superior ao rendimento da exploração aérea (que baixou de 26 para 23 milhões de euros).

Os subsídios aumentaram de 20 para 25 milhões de euros, dos quais cerca de 1,3 milhões relativos à operação do Funchal-Porto Santo.

A juntar às preocupações deste ano, mais um custo escondido: as "taxas de emissão de CO2", que a empresa estima poderem atingir 1,3 milhão de euros.

Abertas as inscrições para o mais recente festival de cinema em Portugal

 

Panazorean International Film Festival é o nome do primeiro festival de cinema, inteiramente dedicado às questões das migrações e interculturalidade, a nível nacional e um dos poucos a nível internacional.

Em Abril de 2012, durante 8 dias, a cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel será o palco deste evento. Os Açores, espaço de partidas e chegadas por excelência, são um local privilegiado para juntar realizadores, produtores e especialistas em torno da reflexão sobre os movimentos migratórios e a interculturalidade num mundo globalizado e globalizante.

Curtas ou longas, de ficção ou animação, filmes de carácter documental ou experimental, todas as categorias estão a concurso. O festival destina-se a todos os públicos, desde os novos talentos aos nomes consagrados. As inscrições já estão abertas, terminando no dia 31 de Dezembro de 2011. Os candidatos concorrem a um dos prémios, cujo valor total ascende os 14.000 euros.

 

A programação será realizada em colaboração com a Associação Zero em Comportamento, organizadora do Indie Lisboa – Festival de Cinema Independente de Lisboa. O festival é organizado pela AIPA - Associação dos Imigrantes nos Açores - e apoiado pelo Governo Regional dos Açores.