Restaurante José do Rego expande e vai abrir mais um espaço este ano

SDC10079Já conta com 45 anos de actividade e começou por ser uma taberna que vendia vinho de cheiro ao copo e alguns petiscos. Estamos a falar do Restaurante José do Rego, localizado na Atalhada, concelho de Lagoa. Hoje propriedade de João Pereira, o restaurante tem conseguido responder às solicitações do mercado, apresentando produtos frescos e essencialmente açorianos. O que começou com apenas umas cadeiras, é hoje um espaço amplo com capacidade para mais de 200 pessoas.

 

Diário dos Açores – O José do Rego tem quantos anos de actividade?

João Pereira – O José do Rego iniciou a sua actividade a 11 de Julho de 1973. Naquela altura existiam muitas vinhas e produzia-se muito vinho de cheiro. Como o primeiro proprietário deste estabelecimento também tinha vinhas e algumas adegas, ele optou por fazer de uma parte das suas adegas uma espécie de taberna, onde vendia principalmente o vinho que produzia e alguns petiscos, como capelo de polvo e chicharros.

Assim começou o José do Rego… As pessoas foram gostando daquele espaço e cada vez ia sendo mais frequentado. Foram-se acrescentado cadeiras, mesas e depois criou-se uma pequena sala de refeições, em particular para as pessoas que trabalhavam nos arredores, como era o caso dos bancários ou dos professores que tinham por hábito almoçar fora. Estas pessoas começaram a ser clientes com assiduidade do José do Rego e assim a empresa foi vingando até aos dias de hoje.

 

E como se dá a sua entrada na empresa?

JP – Uma vez que o primeiro proprietário já tinha uma idade avançada, o negócio passou para o filho e nesta altura eu fui contratado para trabalhar com ele. Durante oito anos aprendi muito e posso dizer que quase tudo o que sei, devo ao filho do Sr. José e à sua mãe. Ensinaram-me todos os segredos de um bom serviço.

 

Passaram 45 anos e o que era uma taberna, hoje é um espaço remodelado e bem maior. Como foi essa evolução?

JP – Desde o início, o José do Rego teve muita aceitação pelo público e foi ganhando boa fama ao longo dos anos e, por isso, houve necessidade de irmos respondendo às solicitações. Criamos então uma nova sala de refeições. Na altura, como havia pouco dinheiro, utilizamos costaneiras. Mais tarde, como já precisávamos de realizar eventos maiores, voltamos a aumentar a sala.

Entretanto, como o filho do dono cansou-se deste trabalho, decidiu trespassar-me o negócio. Fiquei então com o restaurante até aos dias de hoje e já lá vão 19 anos.

 

E como proprietário como foi a sua gestão?

JP – Ao longo destes anos tentei sempre ir melhorando os serviços. Com as novas exigências, ao nível do HACCP, foi necessário realizar novas obras e novos investimentos, apostando sempre na qualidade dos nossos produtos e serviços.

No José Rego fazemos questão de ter os melhores produtos, sempre frescos e com boa qualidade.

 

Onde está a vossa maior aposta?

JP – Nós somos conhecidos pelos nossos chicharros e pelo polvo assado. Também introduzimos um prato alentejano, servido em travessas grandes, que é muito bem aceite em especial pelos jovens universitários que vêm aqui fazer as suas festas. Neste aspecto, devo referir que já passaram pelo José do Rego muitas gerações de universitários que escolhiam sempre o nosso restaurante. O facto de, na altura, estarmos localizados entre duas discotecas (o Cheers e o Populo’s Inn) também agradava à malta jovem e captava mais clientes.

No que toca à ementa, fomos sempre introduzindo novos pratos, aumentando assim a nossa oferta.

Por força da nossa boa fama e da nossa boa comida, já fomos convidados a representar os Açores em algumas feiras fora dos Açores. Ainda hoje estamos presentes em alguns destes eventos, como a Feira de Santarém, Bolsa de Turismo de Lisboa, FIL ou Vila do Conde. Tentamos levar e mostrar nestas feiras aquilo que somos e temos de bom não só no nosso restaurante, mas também nos Açores.

 

Quando, por falta de mais recursos, decidiram na altura utilizar costaneiras para aumentar a vossa sala de refeições, esta opção acabou por ser uma imagem de marca do José do Rego, que também era conhecido por este facto. Ainda hoje os clientes falam daquela época?

JP – Sim. Ainda há muitos clientes que comentam que preferiam o restaurante quando tinha costaneiras, porque era mais rústico ou mais familiar… Mas tivemos que as tirar, não por querer, mas porque as regras do HACCP assim o impuseram. Ainda tentamos manter alguns traços em madeira, mas não nos foi permitido.

 

O José do Rego começou por ser uma taberna que vendia copos de vinho de cheiro e alguns petiscos, num espaço reduzido. Hoje já conseguem chegar a um grande número de pessoas. O restaurante cresceu bastante nestes 45 anos… Que tipo de serviço prestam actualmente a quem vos procura?

JP – Hoje fazemos todo o tipo de serviço. Para além dos eventos em que participamos fora dos Açores, também já fazemos casamentos, com salões próprios para este efeito, baptizados, comunhões... todo o tipo de festa! Tudo o que sejam eventos, estamos a apostar.

Também estamos a introduzir festas temáticas, como é o caso do dia do marisco ou o dia dos Açores, com comida regional. Estamos a tentar abranger um pouco de tudo, aproveitando também esta nova onda de turistas para darmos a conhecer tudo o que temos de bom, e não é pouco. Temos muita coisa boa!

 

Com toda a vossa evolução, a crise passou-vos ao lado?

JP – Como quase todas as empresas, também o José do Rego, antes de 2015, teve os seus momentos menos bons. Registamos menos clientes e tivemos um pouco “apertados”, mas graças à nossa boa equipa, conseguimos dar a volta e mantermo-nos sempre em actividade. Agora o negócio está melhor, estamos a recuperar clientes e a ganhar novos, fruto também da abertura do espaço aéreo dos Açores às companhias de baixo custo. No Verão, há dias em que não conseguimos mesmo dar resposta a todas as pessoas que chegam ao nosso restaurante.

 

Têm capacidade para quantas pessoas?

JP – Numa sala conseguimos sentar 160 pessoas, e noutra sala 120 pessoas. 

 

Qual é o segredo para o vosso sucesso?

JP – O sucesso começou logo no início com o primeiro proprietário, e creio que se deveu ao facto de ele dar um sabor familiar à oferta que tinha na altura. Penso que o nosso sucesso tem a ver com o facto de fazermos tudo sempre com muito carinho e amor. Tentamos elaborar comidas caseiras e saborosas, deixando os nossos clientes à vontade. Somos um restaurante que tenta com que os nossos clientes se sintam em casa. A nossa equipa também faz por isso. Tentamos ser agradáveis com quem nos procura, gracejando e proporcionando um ambiente agradável a quem escolheu o nosso espaço seja para fazer uma refeição, ou seja numa festa qualquer. Nos aniversários, por exemplo, os nossos colaboradores também se envolvem, cantam os parabéns aos clientes, oferecemos uns brindes e uns licores. Entendemos que um restaurante não é só apresentar gastronomia, também oferecemos divertimento e alegria.

Também tentamos apresentar um programa diferente por ocasião dos dias dos amigos, das amigas ou dos namorados. São dias em que o restaurante fica praticamente lotado. Este ano vamos ter música ao vivo e alguns brindes surpresa e muita diversão e tudo isto para que os nossos clientes se sintam bem na nossa companhia.

 

A vossa equipa é composta por quantos colaboradores?

JP – Actualmente temos 14 funcionários. Estamos abertos todos os dias, das 10h00 às 01h00, com excepção para o dia 25 de Dezembro, que é o único dia do ano que estamos fechados. De resto, temos sempre as nossas portas abertas a todos os que nos queiram visitar e conhecer as nossas iguarias e especialidades. Posso garantir que quem vier, não se vai arrepender.

 

Quem é o vosso cliente?

JP – Temos o cliente da classe média/baixa, média/alta e alta. Temos uma ementa para vários gostos, com uma grande diversidade de pratos. Temos mariscos, bom peixe fresco e boa carne. Ainda recentemente organizamos um buffet de marisco e foi um sucesso, com bastante adesão da população.

 

Também já foi funcionário, mas agora é patrão. As responsabilidades são bastante diferentes…

JP – Sim, tenho uma grande responsabilidade e cada vez mais as exigências são maiores não só no pagamento dos encargos mensais, como seguros, segurança social e finanças, mas também ao nível da manutenção. É importante estarmos sempre muito atentos a tudo. Sempre fomos uma casa cumpridora, mas agora há muitos mais pormenores a ter em conta. Antigamente nem se ouvia falar de ar condicionado, as pessoas adaptavam-se ao espaço, mas hoje em dia passou a ser um requisito necessário…

 

Trabalhar hoje em restauração é muito diferente?

JP – Eu diria que tem mais modernices e outras exigências.

 

Passar de funcionário para patrão, foi difícil?

JP – Foi um pouco difícil. Apesar de, na altura, já ter alguma experiência, de já conhecer muito bem os clientes e de já saber fazer as compras, quando se trata de gerir outras pessoas é muito diferente. Saber que temos famílias que dependem de nós, acarreta uma grande responsabilidade, e não é muito fácil… Mas, graças a Deus, o negócio tem corrido bem e é para continuar a correr bem!

 

E quanto a novos projectos, existem?

JP – Temos em mente para este ano abrir mais um espaço. Ainda está numa fase de estudo, mas, em princípio, no final deste ano teremos novidades.

Será no mesmo concelho, sempre nos identificamos com a Lagoa, é um concelho que nos conhece bem e por isso vamos ficar por aqui.

 

Sente-se um empresário realizado?

JP – Sim! Todas as metas de pretendia atingir já foram alcançadas. Agora tenho outras metas que pretendo alcançar, sendo uma delas o novo projecto que está entre mãos.

 

Projecto pretende “desmistificar ideia de que ser-se vegetariano é muito caro”

gualter rainhaSurgiu há poucos meses, mas já chegou a cerca de duas centenas de pessoas. O projecto de culinária “Cozinha de Sentidos”, do jovem Gualter Rainha, promove o vegetarianismo, enquanto cozinha “sustentável e inteligente”. Através de workshops e showcookings, Gualter partilha conceitos, técnicas e receitas que deixam de lado os ingredientes de origem animal. Segundo avança ao Diário dos Açores, o interesse pela cozinha vegetariana tem vindo a aumentar e o seu objectivo passa por desmistificar a ideia de que ser-se vegetariano sai caro. “Tudo depende do que compramos e do que combinamos nos pratos”, garante.

 

Diário dos Açores - Em que consiste o teu projecto “Cozinha de Sentidos”?

Gualter Rainha - O projecto Cozinha de Sentidos consiste em abordar e promover o vegetarianismo. É um projeto alternativo de cozinha vegetariana moderna, na confecção de pratos saudáveis. A Cozinha de Sentidos abraça a cozinha sustentável e consciente. 

 

Criaste este projecto com que objectivo?

GR - Sem dúvida a partilha. Partilhar a grande paixão que tenho pela culinária e pelo vegetarianismo. É uma forma que tenho de  troca e partilha mútua com os seguidores. Onde partilho experiências, receitas, informação e eventos. 

 

Que tipo de iniciativas tens promovido no âmbito do “Cozinha de Sentidos”?

GR - Tenho realizado workshops e showcookings vegetarianos estritos, partilhando receitas no meu blogue “Cozinha de Sentidos”, e ajudado de certa forma as pessoas que me procuram a pedir sugestões e receitas vegetarianas.

 

Qual tem sido a adesão às formações que promoves? Consegues dizer quantas pessoas, no total, já participaram nos teus workshops?

GR - A adesão tem sido formidável nestes primeiros meses de existência do projecto. Em termos numéricos, talvez cerca de 200 pessoas, a contar com os workshops e showcookings. 

 

O que fazes exactamente nestes workshops? Que temáticas abordas e que conteúdos ensinas?

GR - Sobretudo partilho informação, técnicas e receitas. Em termos temáticos, tenho-me  focado sobretudo nas fontes de proteína de origem vegetal, substitutos aos lacticínios comuns como por exemplo leites e queijos, probióticos caseiros e alguns doces. Tudo 100% vegetal, com o mínimo de gorduras saturadas, e colesterol. Nos workshops pretendo também desmistificar a ideia que ser-se vegetariano é muito caro. Essa ideia é muito errada. Podemos ter uma alimentação variada e saúdável, com um pouco menos à alimentação comum, acreditem! Tudo depende do que compramos e do que combinamos nos pratos. 

 

Como surgiu o teu gosto pela cozinha vegetariana? Tiraste alguma formação nesta área?

GR - Começou por querer optar por uma alimentação sem sofrimento animal. De certa forma por incentivo também, por parte de amigos vegetarianos que me deram algum apoio e informação inicialmente. Não tirei nenhuma formação profissional na área. Todo o conteúdo que retenho partiu mesmo de muito estudo em casa, por muita pesquisa e testes. Estou sempre a criar receitas, equilibrando-as de forma saudável, com combinações que todos possam gostar. A cozinha vegetariana é apaixonante e desafiante. Adoro isso.  

 

Desde quando és vegetariano e o que te fez tomar esta opção de vida?

GR - Já o sou há dois anos, e o motivo foi mesmo querer levar uma vida o mais saúdável possível. De forma física, no que toca à saúde do meu corpo, ou emocionalmente, no que toca ao sofrimento animal. É possível termos uma alimentação rica e completa sem recorrermos à sua morte, e como gosto e respeito os animais, para mim faz todo o sentido. 

 

almondegas de ervilhaQue vantagens e benefícios tem a cozinha vegetariana para as pessoas?

GR - São vários os benefícios, dependendo das aspirações de cada um. Em termos de saúde, é sem dúvida alguma mais saudável que a alimentação dita comum, a omnivora. A carne tem imenso colesterol, por exemplo, já as leguminosas, que são uma das principais fontes de proteína vegetal, o valor do coleterol é zero por exemplo. Logo neste ponto, a nossa saúde cardiovascular ganha vantagens ao sermos vegetariamos. Mas como é obvío, cada pessoa que opte por ser vegetariana, deve-se informar e aprender o máximo de conteúdos para que possa ter uma alimentação equilibrada e diversificada, uma vez que devemos fazer várias combinações de produtos. 

 

Pelo que te é possível ver, achas que actualmente as pessoas estão mais despertas para o que é a cozinha vegetariana?

GR - Sim, cada vez mais. Não quer isso dizer que se estejam a tornar vegetarianas. Muitas pessoas têm curiosidade em aprender cada vez mais, e implementar no seu cardápio diário, uma vez que é um tema e regime alimentar em voga. Nisto, há as que procuram o vegetarianismo mesmo por curiosidade, porque gostam, por motivos de saúde, outras no que toca ao reduzir o sofrimento animal. No meu ver, é tudo uma questão cultural! Se fossemos educados desde sempre a sermos vegetarianos, não seria novidade, não haveriam tabus, e seria tudo visto como normal. 

 

Podes dar um exemplo de uma receita vegetariana que seja muito apreciada entre os participantes?

GR - Sim, no último workshop fiz um rolo de grão de bico recheado com legumes salteados. Tive um feedback muito positivo por parte dos participantes. Outro prato por exemplo, é o creme de cogumelos e feijão de soja, com acompanhamento de cogumelos salteados, amêndoa e mangericão. Eu adoro ambos. 

 

Achas que os restaurantes deveriam ter mais opções de pratos vegetarianos nos seus menus?

GR - Eu sou muito prático. Acho que duas opções já seria excelente, contudo já se notam melhorias e esforço por parte de alguns restaurantes, outros não tanto. Mas estamos no bom caminho nesse sentido, e todo o esforço é visto com gratidão por parte dos vegetarianos.

 

Tens alguma iniciativa marcada para um futuro próximo? Como podem as pessoas inscrever-se?

GR - Realizei no dia 20 de Janeiro [ontem] um workshop acerca de proteínas vegetais, queijos vegetais e probióticos. De futuro, em Fevereiro, irei realizar mais um workshop sobre leguminosas, que foi um verdadeiro sucesso no dia 13 de Janeiro. Deverei também repetir no próximo mês de Fevereiro o workshop acerca de proteínas vegetais, queijos vegetais e probióticos. Deixo como referência aos probióticos, que são verdadeiros aliados para a nossa saúde e são um pouco desconhecidos ainda. As pessoas podem-se inscrever por e-mail e pela minha página de facebook preferencialmente, ou então por contacto telefónico que está presente na página. O meu e-mail e Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. e a minha página no Facebook intitula-se Gualter Rainha – Cozinha de Sentidos. O meu blogue tem o mesmo nome: Cozinha de Sentidos.

 

Governo assegura adiantamento do denominado “apoio 1,25 escudos” aos produtores de leite

leite 5O Governo Regional dos Açores vai assumir os encargos com os juros para que continue a ser adiantado aos agricultores de São Miguel o denominado ‘apoio 1,25 escudos’, que representa cerca de 2,6 milhões de euros, revelou ontem o Secretário Regional da Agricultura e Floresta.

“Aquilo que acertamos aqui hoje [ontem] foi que o Governo Regional está disponível para assumir os encargos com os juros para a Associação Agrícola e a Unileite fazerem o adiantamento destas verbas aos produtores”, afirmou João Ponte, que falava no final de uma reunião com o Presidente da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita.

O titular da pasta da Agricultura considerou que se trata de “uma medida positiva”, porque vai contribuir para a tesouraria dos agricultores e das explorações.

Por imposição da União Europeia, o denominado ‘apoio 1,25 escudos’ deixou de ser pago à indústria para passar a ser pago directamente aos produtores de leite no âmbito do POSEI.

“No caso particular de São Miguel, vai originar uma alteração muito significativa, porque as fábricas de lacticínios faziam um adiantamento deste apoio, que era incluído mensalmente no pagamento do leite. Com a alteração agora surgida, só quando as verbas do POSEI fossem pagas é que os produtores iriam receber”, salientou João Ponte, acrescentando que isso iria originar também uma diminuição do chamado ‘cheque do leite’.

No caso da ilha Terceira, as indústrias só pagavam aos produtores quando recebiam do Governo Regional e, nas restantes ilhas do arquipélago, dados os pequenos montantes em questão, as indústrias não vão reflectir no preço do leite pago esta alteração.

O denominado ‘apoio 1,25 escudos’ representa na Região 3,8 milhões de euros, significando, na prática, o pagamento de 6,35 euros por cada mil litros de leite.

João Ponte revelou ainda que este encontro com Jorge Rita serviu também para fazer uma avaliação dos pagamentos, como é o caso do apoio ao transporte dos adubos, que já está a ser liquidado, bem como o pagamento da compensação regional para o prémio ao abate, cerca de 1,4 milhões de euros, que será pago até Abril. 

Paralelamente, foi entregue formalmente a Jorge Rita, que também é Presidente da Federação Agrícola dos Açores, o documento produzido pela Região em relação ao futuro da Política Agrícola Comum (PAC) e que já foi entregue ao Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos.

“Trata-se de um documento importante, feito com contributos da Federação Agrícola dos Açores, e que, no fundo, define a posição da Região”, afirmou João Ponte, frisando que “os apoios e ajudas da União Europeia são fundamentais para a continuidade e sustentabilidade da agricultura em regiões ultraperiféricas como os Açores”, onde os custos de produção são acrescidos e há grande distância dos mercados.

O Secretário Regional salientou ainda que já teve oportunidade de levantar a questão em Bruxelas e junto do Ministro da Agricultura relativamente à importância de se definir rapidamente como será feita a transição entre os quadros comunitários de apoio.

“O nosso desejo é que aconteça o que aconteceu no anterior quadro, ou seja, utilizar verbas do próximo quadro em regime de adiantamento para que não haja descontinuidade nas ajudas”, afirmou João Ponte.

Nenhum juíz solicitou levantamento de imunidade parlamentar a deputados

Tribunal de Ponta DelgadaO Juíz Desembargador Moreira das Neves, Presidente do Tribunal Judicial da Comarca dos Açores, anunciou ontem que nenhum juíz solicitou ao Parlamento açoriano o levantamento da imunidade parlamentar de qualquer deputado.

O referido Juíz enviou ao nosso jornal a seguinte nota: “Vem sendo noticiado na imprensa regional (e nacional) que no âmbito de «um processo por difamação» terá sido solicitado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores o levantamento da imunidade parlamentar de dois deputados para «prestarem declarações em Tribunal», o que terá sido recusado por aquela Assembleia.

Por ponderosas razões a lei reserva aos juízes a competência para solicitar o levantamento da imunidade parlamentar dos senhores deputados (artigo 11.º/5 da Lei n.º 7/93, de 1 de março, ex vi artigo 97.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores).

Informa-se que inexiste em qualquer Juízo do Tribunal Judicial da Comarca dos Açores diligência agendada para audição dos aludidos deputados e que nenhum juiz solicitou o levantamento da imunidade parlamentar de qualquer deputado daquela Assembleia.

Se feita por qualquer outra entidade ou autoridade tal solicitação constituirá um acto a non domino, de usurpação de funções, que a torna juridicamente inexistente”.

Recorde-se, conforme noticiamos ontem, que os deputados Artur Lima (CDS) e Zuraida Soares (BE), líderes parlamentares na Assembleia Regional dos Açores, recusaram anteontem levantar a sua imunidade parlamentar para serem ouvidos em tribunal, como arguidos, num caso de alegada “difamação”.

A decisão foi tomada numa reunião da Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho (CAPAT), cujo relatório foi ontem divulgado, na sequência de um pedido feito pelo Ministério Público de Angra do Heroísmo, para que fosse levantada a imunidade parlamentar dos dois deputados, de forma a responderem em tribunal.

Durante a audição na Comissão, Artur Lima e Zuraida Soares alegaram que os factos constantes nos autos, ocorreram “no exercício das funções de deputados” e que resultam de declarações que proferiram no parlamento, durante debates políticos e, como tal, não têm de prestar contas à Justiça.

Turistas deixaram na hotelaria tradicional dos Açores mais de 84 milhões de euros

turistas sete cidades

A hotelaria nacional registou 1,2 milhões de hóspedes e 3,1 milhões de dormidas em Novembro de 2017, correspondendo a variações de +10,2% e +8,8% (+8,6% e +6,5% em Outubro, respectivamente). As dormidas dos mercados interno e externo aceleraram para crescimentos de 8,9% e 8,8% respectcivamente (5,3% e 6,8% em Outubro).

A estada média (2,53 noites) reduziu-se 1,3% (-4,6% no caso dos não residentes). A taxa líquida de ocupação-cama (37,1%) aumentou 1,8 p.p. Os proveitos totais cresceram 15,5%, com algum abrandamento (18,2% em Outubro) e atingiram 178,0 milhões de euros. Os proveitos de aposento subiram 17,4% (22,7% em Outubro) totalizando 124,9 milhões de euros. Nos Açores os primeiros onze meses revelam bons indicadores. Seguem-se as comparações com o todo nacional.

 

Em Novembro, observaram-se aumentos das dormidas em todas as regiões, com realce para o Alentejo (+21,4%) e Centro (+20,0%). 

As dormidas concentraram-se principalmente na AM Lisboa (peso de 32,1%), no Algarve (20,8%) e na RA Madeira (16,7%). 

Neste mês houve um incremento de 254,2 mil dormidas (face a igual mês do ano anterior), do qual 38,8% foi proveniente da AM Lisboa (98,8 mil dormidas adicionais), 20,4% do Centro (acréscimo de 51,8 mil dormidas) e 17,5% do Norte (44,5 mil dormidas acrescidas). 

No período entre Janeiro e Novembro todas as regiões apresentaram aumentos nas dormidas com realce para a RA Açores (+15,5%), Centro (+14,7%) e Alentejo (+11,0%).

Em Novembro, registou-se aumento de dormidas de residentes em todas as regiões, destacando-se o crescimento assinalável apresentado pela RA Madeira (+34,1%), mas também pelo Algarve (+29,4%) e pelo Alentejo (+21,8%).

Nos primeiros onze meses do ano as evoluções das dormidas de residentes evidenciaram-se na RA Açores (+18,0%) e no Alentejo (+8,5%).

Em Novembro, em termos de dormidas de não residentes, destacou-se o crescimento verificado no Centro (+49,7%) e ainda os aumentos no Alentejo (+20,7%) e Norte (+18,5%), enquanto na RA Açores houve um recuo de 7,7%. 

Nos primeiros onze meses do ano salientaram-se as evoluções das dormidas de não residentes registadas no Centro (+29,5%), Alentejo (+15,7%) e RA Açores (+13,8%).

 

Estada média com redução derivada dos não residentes

 

A estada média (2,53 noites) reduziu-se 1,3%, com maior expressão nas Regiões Autónomas dos Açores (-5,4%) e da Madeira (-4,0%). 

Destacaram-se os crescimentos verificados no Centro (+2,5%) e no Alentejo (+2,0%). A RA Madeira registou a estada média mais elevada (5,49 noites). 

Apenas os não residentes evidenciaram estadas mais curtas (-4,6%), já que no caso dos residentes houve um aumento de 3,5% neste indicador. 

 

Taxa de ocupação aumentou

 

A taxa líquida de ocupação-cama (37,1%) aumentou 1,8 p.p. em Novembro (+1,9 p.p. no mês anterior). 

As taxas de ocupação mais elevadas ocorreram na RA Madeira (61,7%) e AM Lisboa (50,9%). 

Os maiores aumentos na taxa de ocupação tiveram lugar na AM Lisboa e no Alentejo (+3,9 p.p. em ambas as regiões) Proveitos continuam com crescimentos expressivos

Os proveitos totais atingiram 178,0 milhões de euros e os de aposento 124,9 milhões de euros (+15,5% e +17,4%, respectivamente) desacelerando face ao mês anterior (+18,2% e +22,7%, respectivamente). 

Todas as regiões registaram aumentos nos proveitos, com maior evidência no Alentejo (+28,2% nos proveitos totais e +24,0% nos de aposento), Centro (+20,7% e +22,9%, respectivamente) e AM Lisboa (+17,9% e +20,7%, respectivamente). 

O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) foi 32,6 euros em Novembro, o que se traduziu num aumento de 15,0% (+20,4% no mês anterior). 

O RevPAR mais elevado foi registado na AM Lisboa (62,1 euros), seguindo-se a RA Madeira (41,2 euros). 

Neste indicador, destacaram-se os crescimentos no Alentejo (+25,1%), Centro (+20,9%) e AM Lisboa (+19,2%). 

A evolução do RevPAR foi globalmente positiva entre as diversas tipologias e respectivas categorias, salientando-se a evolução registada nos apartamentos turísticos (+31,7%) e nas pousadas (+21,9%). 

 

Hóspedes e dormidas com os maiores aumentos dos últimos meses

 

Em Novembro de 2017, a hotelaria alojou 1,2 milhões de hóspedes que proporcionaram 3,1 milhões de dormidas (+10,2% e +8,8%, respectivamente), acelerando face a Outubro (+8,6% e +6,5%, respectivamente) e correspondendo aos maiores aumentos dos últimos meses. 

Entre Janeiro e Novembro registaram-se acréscimos de 8,7% nos hóspedes e 7,2% nas dormidas.

As dormidas em hotéis (74,5% do total) apresentaram um crescimento de 9,6%. 

As restantes tipologias e respectivas categorias evidenciaram evoluções maioritariamente positivas, destacando-se as dos apartamentos turísticos (+17,1%) e dos aldeamentos turísticos (+13,0%) 

 

Mercado interno em destaque

 

Em Novembro, o mercado interno acelerou para um crescimento de 8,9% (+5,3% em outubro), com um total de 878,1 mil dormidas (+71,5 mil dormidas face a novembro de 2016). 

Este nível de aumento foi o mais significativo dos últimos 12 meses, com excepção de Abril de 2017 (sob efeito do calendário da Páscoa).

Os mercados externos também aceleraram, para um crescimento de 8,8% (+6,8% em Outubro), e registaram 2,3 milhões de dormidas (acréscimo de 182,7 mil).

Nos primeiros onze meses do ano, o mercado interno gerou 14,9 milhões de dormidas (+3,8%) e os mercados externos corresponderam a 39,9 milhões de dormidas (+8,6%) representando 72,8% do total. 

 

Mercado britânico mantém redução

 

Os treze principais mercados emissores representaram 80,2% das dormidas de não residentes.

Em Novembro, os mercados alemão e britânico foram os mais representativos, com uma quota semelhante (16,3% do total das dormidas de não residentes).

O mercado britânico recuou pelo segundo mês consecutivo (-7,7% em Novembro, depois de -5,4% em outubro). Estes resultados, à semelhança do mês anterior, poderão estar influenciados pelo cancelamento de alguns serviços de transporte aéreo nomeadamente entre o Reino Unido e os aeroportos de Faro e Funchal. 

Entre Janeiro e Novembro este mercado cresceu 1,5%.

As dormidas de hóspedes alemães cresceram 5,0%. 

Nos primeiros onze meses do ano este mercado aumentou 7,5%.

O mercado espanhol (quota de 8,7%) cresceu 16,4% em Novembro e 1,7% desde Janeiro.

As dormidas de hóspedes vindos de França (7,9% do total), depois de recuarem consecutivamente desde Maio, voltaram a crescer em novembro (+13,3%). 

Desde o início do ano, este mercado apresentou um ligeiro acréscimo de 0,3%.

Entre os principais países, destacaram-se os crescimentos apresentados em Novembro pelos mercados polaco (46,9%), norte-americano (37,1%) e italiano (26,6%). 

Entre Janeiro e Novembro, sobressaíram as evoluções nos mercados brasileiro (37,4%), norte-americano (33,6%) e polaco (29,6%).

 

Proveitos e RevPAR nos Açores

 

Os proveitos totais nos estabelecimentos hoteleiros dos Açores, de Janeiro a Novembro de 2017,atingiram 84,3 milhões de euros, tendo os proveitos de aposento atingido, no mesmo período, 61,5 milhões de euros. 

Estes valores correspondem a variações homólogas positivas de 23,7% e de 22,7%, respectivamente; para o total do país em igual período, os proveitos totais e os de aposento apresentaram variações homólogas positivas de 16,5% e de 18,2%, respectivamente.

Em Novembro, os proveitos totais e os proveitos de aposento apresentaram variações homólogas positivas, respectivamente de, 11,8% e 9,9%. Para o total do país, estas variações são, respectivamente, de 15,5% e de 17,4%.

As ilhas de São Miguel, Terceira e Faial foram as que maior peso tiveram nos proveitos totais, respectivamente com 72,1%, 13,0% e 6,2%. 

Em Novembro, o rendimento médio por quarto (Revenue Per Available Room) foi de 17,1 euros, apresentando uma variação homóloga positiva de 3,6%. De Janeiro a Novembro, o RevPAR foi de 39,4 euros, apresentando uma variação homóloga positiva de 15,5%.