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O Letrinhas entrou em 2009 cheio de novas ideias. Depois do regresso à escola e da adopção de um cachorrinho, o nosso amiguinho resolveu que precisava de música na sua vida. Após ler um anúncio, no seu jornal preferido, o Diário Infantil, acerca da abertura de inscrições no Conservatório Regional de Ponta Delgada, o Letrinhas decidiu que o seu futuro passaria pela música e por ser um grande baterista. Quando chegou da escola, onde havia lido o anúncio, O Letrinhas falou com os pais acerca das suas intenções e os mesmos concordaram em levá-lo ao conservatório para falar com a responsável. O Letrinhas já se imaginava a tocar bateria, de fita na cabeça, todo energético. Essa noite o nosso amiguinho, emocionado, dormiu pouco, mas no pouco que dormiu ele sonhou que estava num palco a tocar perante centenas de coleguinhas que vibravam ao som da sua bateria. No dia seguinte, após as aulas, o nosso amigo foi finalmente conhecer o Conservatório Regional de Ponta Delgada.
O Conservatório Olá, amiguinhos! Fui finalmente conhecer o Conservatório. É um edifício enorme que se situa no centro de Ponta Delgada. A responsável pelo conservatório é muito simpática e chama-se Ana Paula Andrade. Eu estava muito ansioso e curioso e a simpática senhora, que é pianista, explicou-me tudo acerca da realidade e do funcionamento do Conservatório. Amiguinhos, actualmente, contou-me a responsável, o Conservatório tem 520 alunos, a maioria na faixa etária dos 7 aos 15 anos. Muitos dos meninos vão para a escola de música de Ponta Delgada porque os colegas estão lá. Eu também estou a pensar levar alguns amigos da escola e a todos vocês, amiguinhos. Mas continuando, a professora Ana Paula Andrade confessou que, se estou interessado no Conservatório, o melhor é começar desde cedo. E explicou que quanto mais cedo se começar melhor é o percurso. A propósito, a directora do Conservatório afirmou que já há miúdos muito jeitosos, sobretudo no 1º e 2º ciclos. E acrescentou que se continuarem com o entusiasmado com que estão agora vão muito longe. Inclusive, há muitos nomes conhecidos do mundo da música açoriana que passaram, ou seja, fizeram a sua formação no Conservatório e que cantam, tocam e dão aulas em casas de música famigeradas do continente, como a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o São Carlos. Contudo, a professora avisou-me que ter e tocar um instrumento exige esforço, trabalho diário e muita dedicação. Entusiasmado como estava, perguntei à professora quais eram os instrumentos preferidos dos mais novos, enfim aqueles que nós preferíamos. Ela respondeu que há cinco anos, o instrumento de eleição era o piano. Nos dias de hoje, o piano e o violino disputam o primeiro lugar. Sabem, amiguinhos, ao entrar no Conservatório estava decidido a ser um grande baterista, mas a ideia de tocar outro instrumento é muito aliciante. Acho que a professora reparou que estava hesitante. Então, ela declarou que há cada vez mais uma maior procura de instrumentos de corda. Na verdade, amiguinhos, o Conservatório Regional de Ponta Delgada tem uma orquestra com cerca de 40 alunos, com idades entre os 10 e os 13 anos. Eu gostava muito de integrar esta orquestra. A professora notou o meu entusiasmo e comentou que tocar numa orquestra é muito interessante, e é também importante para os alunos verem a beleza dos diferentes instrumentos e o quão é divertido funcionar em grupo, em orquestra. E falando da sua experiência a professora Ana Paula disse-me que o piano é um instrumento muito solitário, sentimo-nos sozinhos, percebem? Percebi que a grande vantagem dos instrumentos de corda e de sopro é o facto de poderem funcionar em conjunto, fazerem um trabalho de grupo, como os da escola, só que com instrumentos, e integrarem uma orquestra. Ah, já me esquecia, a directora do Conservatório referiu que em Junho do ano passado um grupo de meninos foi ao continente realizar um estágio na Orquestra Metropolitana. Eram 250 miúdos de todo o país, e 40 eram do Conservatório Regional de Ponta Delgada. Eles estiveram uma semana inteira, em regime de internato, no Colégio Militar, com uma série de actividades ligadas à música, sendo que durante o dia tinham cerca de seis horas de trabalho. Imagino como foi divertido e a vivência que tiveram. Os meus pais que foram comigo ao Conservatório perguntaram à professora se há mercado para todos esses músicos. Eu no início não percebi muito bem o sentido da pergunta, mas depois descobri que eles queriam saber era se todos os meninos depois viviam da música. Até, eu percebo que não, mas a simpática professora explicou-lhes que não há mercado para todos esses alunos, mesmo porque nem todos seguem ou continuam a carreira musical. Pelo que a professora Ana Paula, que também é pianista, contou, todos os anos apenas quatro ou cinco alunos seguem para as escolas superiores de música, uma “espécie” de universidade da música. O Conservatório só tem formação até ao 8º grau, o correspondente ao 12º ano do ensino genérico, aquele das escolas do estado que frequentamos. Assim, amiguinhos, depois do 8º grau de música, que corresponde ao 12º ano do ensino genérico, os alunos têm que se submeter a provas, ou seja exames de música, para ingressarem no ensino superior. Se passarem, têm acesso a qualquer escola de ensino superior no continente, como Évora, Aveiro, Lisboa e Porto, ou escolas profissionais. Como vocês sabem, amiguinhos, o ensino musical não é obrigatório, é vocacional. Tem a ver com o jeito. Logo, pode-se desistir a qualquer altura, se não gostarmos ou não quisermos continuar. A música é divertida, mas é um assunto sério que deve ser levada com muita dedicação. Depois de me contar acerca da história e da realidade do Conservatório, a professora Ana Paula disse o que era necessário para me inscrever. A directora adiantou que as inscrições ocorrem de 2 a 27 de Fevereiro e que o primeiro passo é fazer uma inscrição provisória. E depois, até ao final do ano lectivo, ou seja até Junho, os meninos inscritos são chamados para fazerem umas pequenas provas. Provas, pergunto-me eu, mas se eu nada sei de música como vou prestar provas? Então, a professora antecipa-se e salva-me da angústia que por breves momentos se apodera de mim. Na verdade, essas provas não têm a ver com provas de conhecimento, porque os miúdos começam do zero, melhor partimos do princípio que começam do zero, informa a professora. Essas provas são provas de aptidão, que tentam ver o nível de motivação da criança, as suas capacidades naturais relativamente à aprendizagem musical, acrescenta. Amiguinhos, vocês não sabem o peso que me saiu das costas depois de saber disso. Depois disso, a professora Ana Paula faz-nos, aos meus pais e a mim, claro, uma visita enorme pelos longos e amplos corredores da escola. Há muitas salas, mesmo muitas. E para minha surpresa, a directora abre várias portas de sala, onde vejo os meninos a tocarem e explica-me porque motivo, eles estão sozinhos com o professor. Constato, então, que as aulas são individuais. O aluno tem uma hora só de instrumento. Tem uma hora de classe, introdução à música e introdução e experimentação de instrumento musical, em que ele começa a ter as primeiras noções teóricas de música. E depois, tem uma terceira disciplina, que é facultativa que é o coro. Mas que nunca é no primeiro ano. Amiguinhos, fico satisfeito por saber disso, porque assim se eu não gostar, por exemplo, de um instrumento posso trocar. A professora diz que na disciplina individual há uma grande ligação entre o aluno e o professor. É um ensino individualizado, tem que haver uma grande componente afectiva entre os dois. Amiguinhos, o miúdo que vier aos seis anos, quando fizer a inscrição, vai para a primeira classe, faz a prova. Depois dessa prova há um escalonamento e os alunos são seleccionados, conforme as suas aptidões. Amiguinhos, quanto mais cedo começarmos melhor, mesmo por uma questão da própria experiência. Por exemplo, um aluno pode começar pelo piano e meses depois descobrir que prefere outro instrumento. E durante o percurso do primeiro ciclo, enquanto não descobrirmos o instrumento que gostamos podemos sempre tentar outro. Eu quando entrei no Conservatório vinha com a ideia que ia ser baterista, mas de repente fiquei mais interessado num instrumento de cordas, como o violino. Vou inscrever-me já no próximo dia 2 de Fevereiro e depois das provas verei qual a minha verdadeira vocação. Contudo, posso adiantar-vos que vai ser uma experiência fantástica. Fui muito bem recebido no Conservatório, a professora Ana Paula é muito simpática e vi vários meninos e meninas a tocarem. Como queria estar no lugar deles…e vou estar em breve. Por isso, em breve, voltarei para vos contar como é tocar um instrumento de cordas. Adorei a visita ao Conservatório! Até à próxima, sempre com muita música e já sabem…as inscrições no Conservatório são de 2 a 27 de Fevereiro. Encontramo-nos lá, amiguinhos! VISITA A GALERIA DE FOTOS QUE TEMOS SOBRE ESTE TEMA... |