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Pedi aos meus pais um cãozinho. Eles perguntaram-me se eu queria mesmo ter um animal de estimação porque, disseram-me: “é uma responsabilidade grande, temos que tratar deles, leva-los a passear e brincar muito com eles”. Era isso mesmo que eu queria, um novo amigo que estivesse sempre pronto para brincar comigo, mas eu estava consciente do trabalho que ia ter. Foi, depois desta conversa, que os meus pais decidiram levar-me ao Canil Municipal de Ponta Delgada, para vermos se encontrávamos um bonito cachorrinho para mim. Digo-vos amiguinhos, fiquei espantado com tantos animais. São tantos e tão lindos os cãezinhos e gatinhos que lá estão à espera de um novo dono! E há para todos os gostos: pequeninos, grandes, de pêlo encaracolado ou liso, de várias raças…
Já sabem: quando quiserem um animal de estimação façam como eu: vão ao canil para terem oportunidade de ver os animais e escolherem o que quiserem. E o melhor ainda é que é quase grátis, Só tens que dar uma contribuição de 15 euros para as vacinas que o animal leva para não ficar doente. A senhora simpática que lá trabalha, Mara Oliveira, disse-me tudo o que tinha que fazer para poder levar o meu amiguinho para casa. Primeiro demos uma volta pelos canis onde havia vários cães de tamanhos, raças e cores diferentes. Uns mais tristes, outros desconfiados e outros muito alegres. Fiquei curioso em saber como funciona o Canil e foi então que a Mara Oliveira me disse que o Canil Municipal de Ponta Delgada foi o primeiro a ser licenciado nos Açores e o nono ao nível do país. Com esta licença, o canil passou a ser considerado Centro de Recolha Oficial e funciona de acordo com as normas de qualidade e de protecção dos animais que lá se encontram. Para que um canil esteja de acordo com as regras, existem determinados requisitos que têm que ser cumpridos, como por exemplo o tamanho das “boxes” (canis) onde os animais estão alojados e a qualidade da higiene e dos saneamentos - tal como a disponibilidade de água, de alimentos e de espaço, a protecção das condições climatéricas -, bem como a assistência técnica que é dada aos animais e os métodos de captura utilizados. Mara Oliveira acompanhou-nos na visita ao canil, mostrando os alojamentos dos muitos cães e gatos que lá se encontram. Explicou-me a forma como os animais são tratados, as condições em que são recolhidos, bem como o processo a seguir na adopção de um animal. Fiquei a saber que a equipa encarregue do canil é constituída pelo Médico Veterinário Municipal, Virgílio Oliveira, Mara Oliveira e dois tratadores - Nuno e Fátima. Em termos de alojamento, as instalações possuem 59 canis, dos quais 6 são para gatos, com uma capacidade total para 200 animais. Presentemente, encontram-se no canil 75 cães e 13 gatos. Desde o inicio do corrente ano já deram entrada 31 cães. Mara Oliveira considera que o canil tem “muito boas condições”, apresentando o facto de terem sido o primeiro canil licenciado ao nível dos Açores e o nono ao nível do país. Relativamente aos alimentos, vacinas e produtos de desparasitação é aberto um concurso às empresas, sendo os custos de fornecimento suportados pela Câmara Municipal de Ponta Delgada. No período de Junho a Setembro/Outubro o canil encontra-se com uma maior lotação. “Neste caso, em vez de um animal por canil, colocamos dois, se forem de porte grande, e três no caso de serem de raça pequena.” É feita uma análise dos animais, em termos de comportamento, para observar os que se adaptam uns aos outros. Esta elevada entrada de animais no canil justifica-se por ser a altura do ano em que a maioria das pessoas vai de férias e também porque é neste período que as cadelas têm os filhos, dando-se o caso de os donos abandonarem os animais, o que é muito triste. A maior percentagem de animais é levada pelas pessoas, que já se encontram mais sensibilizadas, e por isso, em vez de abandonarem os animais na rua, vão levá-los ao canil. As principais razões apresentadas na entrega são o facto de o animal ter crescido, de não corresponder às expectativas dos donos ou por se ter tornado agressivo. “As pessoas vêm cá trazer os animais por eles terem crescido muito ou porque alguns são mais dinâmicos ou ainda porque se tornaram violentos. No princípio, quando os animais são pequenos, as pessoas gostam muito, mas depois quando eles crescem já não gostam tanto e acabam por vir trazê-los ao canil”, disse-me a Mara Oliveira. O meu pai explicou-me que é por isso que, ter um cachorrinho, é uma grande responsabilidade. “Não podemos querê-lo enquanto é pequenino e depois de grande não o querer”. Infelizmente, há ainda também uma grande percentagem de animais que são encontrados abandonados, na grande maioria cães. O canil tem procurado realizar actividades e acções de sensibilização junto de ATLs (Ateliers de Tempos Livres), de Jardins de Infância e de escolas. “Procuramos sensibilizar as crianças para os cuidados a ter com os animais, a atenção que se deve ter na escolha do animal e explicamos também o que é o canil e para que serve. Através das crianças procuramos também sensibilizar os pais”. Têm também recebido visitas de estudo de escolas da ilha. Relativamente ao número de adopções, Mara Oliveira revelou-nos que tem sido bastante elevado, confessando que gostaria que fosse maior ainda. Disse-nos também que nem só os animais mais pequenos são adoptados, havendo mesmo pessoas que procuram animais de grande porte para protegerem as suas moradias. “Geralmente os animais mais pequenos são procurados por crianças ou idosos para lhes servirem de companhia”. De entre as raças existentes no canil – Caniche, Rottweiler, Husky, traçado de Fila, Collie, Podengo, Pastor Alemão, raça indeterminada (vulgo “rafeiros”), traçado de Labrador – os animais mais procurados são os Pastores Alemães, os Caniches e os Rottweilers, tendo estes últimos sofrido um decréscimo de adopções devido à lei que proíbe as pessoas de terem animais domésticos considerados de raça perigosa. “Por vezes as pessoas chegam ao canil com a intenção de levar um animal de grande porte e de raça, mas depois, quando vêm os outros de raça indeterminada, acabam por simpatizar com eles e levam-nos”. Meus amiguinhos, adoptar um animal é fácil e quase não tem custos. Primeiramente, as pessoas são aconselhadas a ver todos os animais e a reflectirem alguns dias para que a sua decisão seja a mais acertada. Dependendo das condições familiares, do espaço doméstico e do fim para que as pessoas querem o animal (companhia ou protecção), estas são aconselhadas no acto da escolha. Procede-se depois ao preenchimento de duas fichas de registo: uma para o dono e outra para o cão. Na ficha do cão ficam os dados do animal, tal como o número do chip, para que, caso este se perca, possa ser encontrado; na do dono, constam os números do Bilhete de Identidade, de Contribuinte, morada e contactos para que se possa comunicar com o dono, caso o seu animal se perca. É fornecida à pessoa uma guia para levar à Câmara Municipal, onde paga a módica quantia de 15.40 euros, para cobrir os custos do animal, uma vez que ele já sai do canil vacinado e desparasitado. Por fim, é necessário registar o animal na Junta de Freguesia da área de residência. Caso não se adaptem ao animal ou o animal não se adapte às pessoas, podem e devem devolvê-lo ao canil em vez de o abandonarem, facto que não se tem verificado “porque o animal tem um chip e as pessoas ficam com receio de serem multadas; além disso, sentem-se melhor com a sua consciência ao trazer o animal para o canil, pois sabem que cá ele será bem tratado”, refere Mara Oliveira. Por fim, a nossa amiga Mara quis deixar uma mensagem a todas as pessoas, apelando para que façam uma visita ao canil e para que, no caso de quererem um animal, optem pelos que lá se encontram em vez de comprarem um, referindo ainda a importância dos animais: “Temos no canil animais tão bonitos! Eles são uma terapia para as pessoas e uma forma de as crianças ganharem responsabilidade”. Continuávamos a caminhar pelo canil quando, de repente, vi, numa das boxes, uma cadelinha castanha e branca com quatro filhotes lindos e um deles veio logo para o gradeamento do canil ter comigo. Soube logo que aquele era o cachorrinho que eu procurava. Exclamei de imediato: “é meu, quero este! Pai, deixa-me levar este cachorrinho é tão lindo!”. E assim foi, trouxe para casa o meu novo amiguinho que ainda não tem nome. É malhado de branco e castanho e com uns olhos muito vivos. Agora peço a todos vocês para me ajudarem a arranjar um nome para o meu cãozinho. Todos os dias, depois de fazer os trabalhos de casa, brinco com o meu cãozinho. É super divertido!
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